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Jiang Zemin: João Soares fala de direitos humanos mas elogia Jiang

Arquivo Lusa 1999

Lisboa, 26 Out (Lusa) - O presidente da Câmara de Lisboa fez hoje entre ténues críticas à situação dos direitos humanos na China e dirigiu palavras de encorajamento às reformas estruturais do presidente chinês, Jiang Zemin.

João Soares, num discurso de boas vindas a Jiang, nunca abordou directamente a questão dos direitos humanos na China, mas aproveitou a situação vivida em Timor-Leste após o referendo de  autodeterminação para abordar a questão.

"Ainda há bem pouco, Lisboa teve oportunidade de mostrar ao mundo, de forma bem expressiva, os seus sentimentos e firmeza em matéria de liberdade e de direitos humanos, a propósito dos crimes  cometidos em Timor-Leste, imediatamente a seguir ao referendo", referiu.

"Nesse momento, vimos com apreço a posição assumida pela China no Conselho de Segurança da ONU, que permitiu uma reacção adequada da comunidade internacional que merece ser assinalada com uma palavra de gratidão", acrescentou.

João Soares elogiou as reformas que Jiang está a levar a cabo na China, país que, no actual quadro político conturbado, "procura a construção de uma sociedade cada vez mais aberta no plano económico e social e, esperamos, também no plano político".

"Uma China que todos desejamos que se abra com inovação e coragem em relação ao futuro, que seja cada vez mais uma referência de estabilidade, paz e convivência internacional, no quadro de um  respeito pelos direitos humanos", sublinhou, lembrando a experiência portuguesa dos anos da ditadura.

Pegando precisamente nesta última questão, João Soares aproveitou para lembrar que foi a 25 de Abril de 1974 que Portugal conquistou a liberdade, "abriu as portas das prisões políticas e da tortura".

Nesse sentido, fez a entrega das "Chaves da Cidade de Lisboa", oferta que João Soares fez questão de afirmar que é dada a "todos os chefes de Estado que visitam Portugal".

"Queremos que as chaves da Cidade de Lisboa abram as portas da paz, de convivência pacífica e de liberdade. Liberdade como aquela em que nós próprios vivemos desde que abrimos em Abril de 1974 as portas das prisões políticas e da tortura", sublinhou.

"Conhecemos o que tem sido o vosso empenho na transformação e modernização da China e no reforço do seu papel como potência mundial indispensável a um futuro de paz e cooperação entre os povos", acrescentou.

Sobre o futuro de Macau, a que chamou "cidade lusófona e irmã", João Soares reafirmou o desejo de dar continuidade às relações "solidárias e livres" entre as duas cidades (Lisboa e Macau).

"Agora que se aproxima o momento da transferência de Macau para a China, queremos também reafirmar o desejo da continuidade das relações solidárias e livres entre as duas cidades lusófonas e irmãs, no quadro amplo dos interesses comuns dos dois Estados e da convivência pacífica entre os dois povos", concluiu.

Lusa/Fim