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Hong Kong: Especialistas internacionais renunciam a função de investigar acusações contra polícia

Hong Kong, China, 11 dez 2019 (Lusa) - Especialistas internacionais escolhidos pelo Governo de Hong Kong para ajudar na investigação à violência policial contra os ativistas pró-democracia anunciaram hoje que desistiram da função por considerarem não ter condições para cumprir a missão.


O anúncio é um duro golpe para o Governo de Hong Kong, que garantiu que a autoridade de supervisão da polícia de Hong Kong (IPCC) era capaz de investigar as acusações de violência contra as forças policiais desta região especial chinesa.


"Concluímos que existem sérias falhas nos poderes, capacidades e oportunidades para investigar de forma independente", escreveram os especialistas num comunicado.


Os críticos deste organismo alegam já há muito tempo que não possui poderes de investigação adequados, está repleto de figuras pró-poder e é impotente quando se trata de obrigar a polícia a prestar contas.


A organização deve trabalhar quase apenas a partir das queixas transmitidas pela própria polícia, não pode intimar testemunhas para depor e nem solicitar que um juiz obtenha documentos.


Tais restrições, de acordo com o painel, não atendem aos padrões que os cidadãos de Hong Kong podem exigir para um órgão de supervisão policial "que opera numa sociedade que valoriza liberdades e direitos".


O movimento pró-democracia em Hong Kong, que entrou na segunda-feira no seu sexto mês de protestos, nasceu da oposição a um projeto de lei para permitir a extradição para a China.


Desde então, o projeto foi enterrado, mas os manifestantes ampliaram as suas demandas, incluindo o sufrágio universal genuíno e uma investigação independente sobre a violência policial, alegações rejeitadas pelo Executivo de Hong Kong, liderado por Carrie Lam.


A parlamentar pró-democracia Tanya Chan chamou a renúncia do grupo de especialistas de "moção de censura" ao IPCC (sigla em inglês para o denominado Conselho Independente de Queixas Policiais) e ao pré-relatório previsto para o próximo ano.



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Lusa/fim