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Governo de Hong Kong ‘barricado’ em sessão de diálogo, mais protestos antes do Dia da China

Hong Kong, China, 27 set 2019 (Lusa) -- A cinco dias do Dia Nacional da China e na véspera de novos protestos pró-democracia, a chefe do Governo de Hong Kong iniciou uma série de debates com a sociedade civil, mas acabou retida durante quatro horas.


Na quinta-feira à noite (tarde de Lisboa), Carrie Lam estreou a plataforma de diálogo a partir do qual o Governo de Hong Kong pretende apaziguar a tensão social e política que se vive no território desde 09 de junho, mas foi confrontada com críticas durante as duas horas da iniciativa.


A comitiva governamental acabou por abandonar o local apenas quatro horas após o final da sessão, por razões de segurança, de forma a evitar os manifestantes que se posicionaram nas ruas vizinhas ao estádio que acolheu a iniciativa.


Carrie Lam voltou a frisar a importância do diálogo e a negar que a iniciativa seja um "golpe de relações públicas", mas, para além do abandono das emendas à lei da extradição, recusou fazer quaisquer concessões às restantes exigências dos manifestantes que, entre outras reivindicações, pedem um inquérito independente à alegada brutalidade policial e o sufrágio universal no território.


Com o aproximar das celebrações dos 70 anos da fundação da República Popular da China, agendadas para 01 de outubro, os protestos prometem intensificar-se este fim de semana nas ruas de Hong Kong.


O mais importante deverá acontecer no sábado à noite, promovido pela Frente Cívica de Direitos Humanos, que tem sido responsável pelas maiores manifestações no ex-território britânico.


A mesma organização, que representa pelo menos 15 partidos e organizações não-governamentais, está também a convocar um outro protesto precisamente para a tarde de 01 de outubro, num dia de expectável tensão, não só pelo simbolismo da data para a China, como para grupos pró-Pequim, que também se prevê que se manifestem nas ruas.


O Governo de Hong Kong anunciou a retirada formal das emendas à polémica lei da extradição que esteve na base da contestação social desde o início de junho.


Contudo, os manifestantes continuam a exigir que o Governo responda a quatro outras reivindicações: a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial e, finalmente, a demissão da chefe de Governo e consequente eleição por sufrágio universal para este cargo e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.


A transferência de Hong Kong para a República Popular da China, em 1997, decorreu sob o princípio "um país, dois sistemas".


Tal como acontece com Macau, para aquela região administrativa especial da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, com o Governo central chinês a ser responsável pelas relações externas e defesa.



JMC // FPA


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