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Fórum Macau organiza evento em São Tomé e Príncipe para promover relações diplomáticas

Macau, China, 27 mar (Lusa) - O Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum Macau) anunciou hoje a realização de uma conferência empresarial em São Tomé e Príncipe, país que só retomou relações diplomáticas com Pequim em 2016.


A conferência empresarial, vai realizar-se em julho 2019, refere o Fórum Macau, pela própria secretária-geral do secretariado permanente da instituição, Xu Yingzhen, no final de uma reunião que juntou representantes de oito países de língua portuguesa


São Tomé e Príncipe foi, durante anos, um dos poucos países com relações diplomáticas com Taiwan durante ano, o que invalidava laços com a República Popular da China, devido à política externa de Pequim.


Hoje, com este anúncio, o Fórum Macau cumpre essa nova orientação estratégica de Pequim, que visa fomentar parcerias económicas com países que renunciaram a relações diplomáticas com Taiwan.


No quadro dessa estratégia de aproximação de São Tomé e Príncipe a Pequim, o primeiro-ministro são-tomense, Jorge Bom Jesus, está esta semana na China para uma série de encontros, que incluem Presidente chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro Li Keqiang.


Hoje, Bom Jesus está na ilha de Hainan como convidado no fórum Boao para a Ásia, conhecido como "Davos asiático" e que reúne líderes de governo, empresas e universidades da Ásia e de outros continentes.


Em declarações à Lusa, o primeiro-ministro são-tomense afirmou que vai recorrer ao "relacionamento íntimo, de amizade e solidariedade" que o seu país tem com a China, para pedir financiamentos para projetos estruturantes e donativos para o orçamento.


"São Tomé e Príncipe precisa neste momento, como de ar para respirar, de financiamento e a China, pelo seu potencial económico, pelo relacionamento íntimo, de amizade e solidariedade que existe, vamos pedir à China toda a solidariedade possível neste momento em que o país e este novo governo precisam de financiamento", disse o chefe do executivo a jornalistas, momentos antes de viajar para a China.


"China é um dos nossos parceiros estratégicos e existem alguns projetos estruturantes já esboçados e contamos com o financiamento chinês, mas sem pormos de lado a necessidade de batermos a portas em busca de donativos para podermos financiar o nosso orçamento geral do Estado", acrescentou.


Entre os dirigentes estrangeiros convidados para a cimeira Boao para a Ásia que se reúne anualmente, contam-se também o primeiro-ministro sul-coreano, Lee Nak-yon, o primeiro-ministro do Laos, Thongloun Sisoulith e do luxemburguês, Xavier Bettel.


No dia 20, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou para a situação económica de São Tomé e Príncipe, considerando que o país está "sob uma imensa pressão", com uma "subida vertiginosa" da despesa e quebras da receita, propondo um programa de três anos no país.


"O país está sob uma imensa pressão. De facto, aquilo que se constatou no ano passado é que a despesa subiu vertiginosamente enquanto a receita caiu bastante", disse Xiangming Li, chefe da missão do FMI, que iniciou negociações com o Governo são-tomense para alcançar um programa com duração de três anos, destinado a "ajudar a fazer crescer a economia e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos".


Também o Banco Central de São Tomé e Príncipe (BCSTP) disse ter observado "uma deterioração dos principais indicadores macroeconómicos, com destaque para a desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB), o aumento da inflação, o aumento do défice orçamental e o aumento do défice da balança comercial de bens".



JMC/MYB // PJA


Lusa/Fim