Feira de joalharia Portojóia combina tradição com inovação e vocação exportadora
Redação, 19 set 2019 (Lusa) -- A Portojóia, apresentada como "a maior montra" da joalharia, ourivesaria e relojoaria" portuguesa, regressa de 26 a 29 de setembro à Exponor, em Matosinhos, numa edição apostada em homenagear a tradição portuguesa e projetar a nova geração.
"Com o mote 'Roots & Wings', o evento, dirigido a profissionais, homenageia as raízes da arte e da tradição portuguesa ao mesmo tempo que projeta a nova geração que desenha o futuro do setor", pretendendo "afirmar-se como observatório de tendências e plataforma de sinergias dentro e fora do setor", refere a organização em comunicado.
Segundo destacou à agência Lusa a Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal (AORP), sendo "um dos setores de maior tradição em Portugal, a joalharia portuguesa está a atravessar uma fase de renovação e crescimento", assumindo-se como "uma arte herdada de geração em geração", mas que "surge agora revigorada e pronta a enfrentar novos desafios".
"Ao saber-fazer e ao talento dos artesãos, soma 'design', inovação e uma vocação exportadora", salienta, avançando como "novas dinâmicas do setor" a revitalização das empresas tradicionais, "que têm vindo a apostar na modernização das suas coleções e dos processos de gestão, sem perder a autenticidade da joalharia portuguesa", e a emergência de novos 'designers', que "criam marcas em nome próprio e abrem novos caminhos à joalharia portuguesa".
A aposta no 'e-commerce' (comércio eletrónico), na revitalização do comércio tradicional e na internacionalização são outros vetores de desenvolvimento do setor, que aponta como meta atingir 150 milhões de euros de exportações em 2022.
"Entramos numa nova era para a joalharia portuguesa. Para alavancar este crescimento e expansão internacional, a AORP criou a marca internacional 'Portuguese Jewellery -- Shaped with Love', sob a qual tem desenvolvido campanhas e iniciativas de promoção coletiva, com o objetivo de reforçar a notoriedade e posicionamento da joalharia portuguesa em todo o mundo", refere a associação.
Neste contexto, a 30.ª edição da Portojóia irá apostar em "iniciativas paralelas com o objetivo de fomentar parcerias exclusivas entre marcas e setores, a partilha de boas práticas entre profissionais e ainda uma visão global sobre as tendências que influenciam o mercado".
Destaque para a iniciativa 'Arts & Jewels', que apresenta as colaborações exclusivas entre marcas de joias e criadores dos setores da moda, decoração, 'design' e artes plásticas: a Eugénio Campos aliou-se à designer de moda e modelo Diana Pereira; a 'designer' de joalharia contemporânea Liliana Guerreiro apresenta uma criação em parceria com a marca de sabonetes e produtos perfumados Castelbel; a também 'designer' Telma Mota uniu-se à marca de 'design' de produto Madre; e o joalheiro André Rocha juntou-se ao artista plástico Pedro Guimarães.
"O objetivo -- salienta a organização -- é inspirar a criação de novos produtos, com vista ao desenvolvimento de novas áreas de negócio".
Em foco estará também o 'Trend Spot', um "espaço de tendências com uma curadoria de peças que representam os novos movimentos criativos": 'Roots & Wings' reflete a vontade de regressar às raízes e à essência para projetar o futuro; "Mentes Viajantes" remete para o cruzamento de lugares, experiências e culturas; 'Soft Power' transmite a necessidade de desligar do 'stress' quotidiano e "Espiritualidade" fomenta a ligação a um estilo de vida mais introspetivo e reflexivo.
Com o objetivo de "inspirar e fomentar a partilha de conhecimento", esta edição volta a apresentar o espaço 'Jewel's Labs', em que quatro marcas "sugerem novos conceitos de exposição e vitrinismo dirigidas ao retalho, funcionando como protótipos de inspiração para as ourivesarias".
As convidadas desta edição são a 'concept store' Scar ID e as marcas de joalharia Mesh, Mimata e Wings of Feeling.
A edição anterior da Portojóia reuniu mais de 10.000 visitantes e 165 expositores, entre eles 25 marcas internacionais e 35 jovens 'designers', uma aposta recente do certame e que tem vindo a crescer, refletindo a imagem de "um setor em renovação".
Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) avançados à Lusa pela AORP, em 2015 as atividades da joalharia, ourivesaria e relojoaria abrangiam 4.237 empresas, das quais 655 dedicadas ao fabrico, 3.339 ao comércio e 243 à reparação.
A região Norte concentrava mais de metade (54%) das empresas do setor, seguida de Lisboa, com 23%, e do Centro, com 21%.
O volume de negócios setorial foi de mil milhões de euros em 2017, tendo as exportações subido de 65,5 milhões de euros em 2015, para 71 milhões de euros em 2016 e 100 milhões de euros em 2017.
Por ordem de importância, os principais mercados de exportação da joalharia, ourivesaria e relojoaria portuguesa são Espanha, Hong Kong, EUA, Itália e Bélgica.
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