Éxito da transição de Macau deve-se aos anteriores governos do PSD – Durão Barroso
Arquivo Lusa 1999
Braga, 18 Dez (Lusa) - O presidente do PSD, Durão Barroso, defendeu hoje que o êxito da transição de Macau para a Republica Popular da China deve-se, essencialmente, a actuação dos anteriores governos do PSD e a acção do actual Governador.
"O PSD orgulha-se daquilo que fez relativamente ao processo de transição de Macau, pois foi num Governo de Cavaco Silva que se assinou o acordo com a China" , salientou, pondo em contraste o "desastre" que aconteceu em Angola e Moçambique quando os socialistas estavam no poder.
O dirigente do PSD falava durante da cerimonia de inauguração da sede do PSD em Cabeceiras de Basto, que se seguiu a um almoço com militantes do partido.
Salientando o rigor que Cavaco Silva colocou na "defesa dos interesses de Portugal e - no caso de Macau - dos interesses dos portugueses e dos chineses que vivem no território", Durão Barroso criticou a postura daqueles que "mesmo até ao último momento da presença portuguesa procuraram sempre desprestigiar o nome de Portugal, tentando sacar o máximo para eles próprios e para o seu partido".
Para Durão Barroso, "se há hoje razões de congratulação com a transição de Macau, tal deve-se ao PSD, que soube pôr o interesse nacional acima do interesse partidário e resistiu a alguns que apenas viam Macau como a árvore as patacas".
"Há quem não goste que se digam as verdades, mas eu tenho de dizer que se fossem eles a conduzir o processo nós não sairíamos de Macau com dignidade, mas porventura cheios de vergonha", declarou, saudando a eficácia e a capacidade da equipa governativa liderada por Rocha Vieira.
Justificando a sua ausência das cerimonias da transferência da administração do território para a Republica Popular da China, Durão Barroso considerou que a sua presença "não ia acrescentar nada aos actos oficiais, já que o PSD esta muito bem representado, nomeadamente através do ex-líder do Governo, Cavaco Silva ".
A intervenção de Durão Barroso foi também marcada por fortes ataques ao Governo, com relevo para a alegada "falta de autoridade e de visão do primeiro-ministro, consubstanciada no apoio que vem dando a dois ministros que perderam toda credibilidade": Manuel Maria Carrilho e Maria de Belém.
"Temos um chefe do Governo que adia os problemas, que não tem uma visão estratégica para o país e não é capaz de dar esperança à juventude", acusou, lembrando que "o Governo português não funciona, ao contrario do que sucede na Europa, onde se tomam medidas sérias em termos fiscais e se encaram os problemas económicos como acontece com a agricultura".
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