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ENTREVISTA: Penso quase todos os dias que serei a próxima a ser detida em Hong Kong — ativista Denise Ho (C/ÁUDIO E C/VÍDEO)

*** João Carreira (textos) e Miguel Mâncio (vídeo), enviados da agência Lusa ***



Hong Kong, China, 01 out 2019 (Lusa) -- A cantora e ativista pró-democracia Denise Ho disse em entrevista à Lusa que pensa "quase todas as semanas, se não todos os dias" que pode ser a próxima a ser detida por apoiar os protestos em Hong Kong.


"É uma ameaça que existe desde o início de junho [quando a contestação começou], mas tento que isso não seja algo que me trave", afirmou no dia em que vários outros ativistas foram detidos pela polícia, na véspera da celebração dos 70 anos da fundação da República Popular da China que se assinalam hoje.


"Estamos numa situação cada vez mais difícil", com "quase duas mil detenções" durante estas 17 semanas consecutivas de protesto, lamentou a cantora que, nos últimos três meses, discursou na ONU e no Congresso norte-americano, em defesa do movimento pró-democracia.


A artista, cujo ativismo político a deixou fora do gigantesco circuito comercial chinês, mas conseguiu transformá-la numa das vozes mais importantes ligadas aos protestos pró-democracia sustentou que "as autoridades estão a utilizar este tipo de táticas para oprimir e intimidar as pessoas. [E isso demonstra] que o Governo de Pequim tem medo das pessoas (...) e do movimento".


No domingo foi alvo de um ataque por dois homens em Taiwan quando se preparava para participar numa ação de apoio aos protestos em Hong Kong, tendo sido atingida com tinta vermelha na cabeça. Um ato cometido por dois membros de um partido pró-Pequim, acusou, e que já foram identificados, assinalou.


Denise Ho disse que tem sido alvo de "ameaças indiretas junto de amigos, (...) pela máquina de propaganda [comunista] e de ataques verbais 'online'".


"É uma ameaça muito real. E por ter falado nas Nações Unidas e (...) no Congresso dos EUA estou ciente de estar no topo das pessoas que são um alvo", mas "como figura pública (...) tenho uma responsabilidade", frisou.


O Governo de Hong Kong anunciou a retirada formal das emendas à polémica lei da extradição que esteve na base da contestação social desde o início de junho.


Contudo, os manifestantes continuam a exigir que o Governo responda a quatro outras reivindicações: a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial e, finalmente, a demissão da chefe de Governo e consequente eleição por sufrágio universal para este cargo e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.


A transferência de Hong Kong para a República Popular da China, em 1997, decorreu sob o princípio "um país, dois sistemas".


Tal como acontece com Macau, para aquela região administrativa especial da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, com o Governo central chinês a ser responsável pelas relações externas e defesa.



JMC // ANP


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