ENTREVISTA: Macau/20 anos: Portugueses residentes devem aprender a falar chinês – conselheira
Macau, 13 dez 2019 (Lusa) - A conselheira das comunidades portuguesas Rita Santos defende que os portugueses residentes em Macau devem aprender a falar chinês de forma a devolverem as suas atividades económicas e reforçarem a importância da plataforma sino-lusófona.
"Na qualidade de conselheira das comunidades portuguesas, gostaria de chamar a atenção aos portugueses, para que eles possam servir a plataforma efetiva, convém também aprender o mandarim", afirmou, em entrevista à Lusa, a presidente do Conselho Regional do Conselho das Comunidades Portuguesas da Ásia e Oceânia.
Na sua opinião, os portugueses residentes em Macau já estão integrados e nas duas culturas, "vivem em harmonia com as duas culturas, chinesa e portuguesa".
"O que falta é a aprendizagem da língua chinesa. Se os portugueses aprendessem chinês eu penso que o negócio e o desenvolvimento das suas atividades económicas, culturais e profissionais vão muito mais além", frisou.
Os portugueses, sublinhou a comendadora de 61 anos, têm de se adaptar à nova realidade socioeconómica e administrativa de Macau, não pode depender apenas da função pública, e por isso têm de "aprender o mandarim".
"Temos de ser realistas (...) Temos de aprender chinês", defendeu.
Até porque, sublinhou, "há necessidade de contratação de mais funcionários e é necessário que esses funcionários saibam a língua chinesa".
"Há mais procura de empregos por parte da comunidade portuguesa, não só na função pública, como também na privada, como direito, engenheira, arquitetura e até há cada vez mais portugueses a abrirem empresas" em Macau, disse.
Rita Santos tem notado que os alunos da Escola Portuguesa de Macau "já falam um pouco mandarim, já têm essa atenção", mas frisou que não é suficiente: "Para que os portugueses se possam integrar mais é preciso estarem mais dentro da sociedade chinesa, é preciso participarem mais em atividades da sociedade chinesa".
Este apelo ganha ainda mais força e importância porque o contrário está a acontecer: desde a passagem da administração de Macau de Portugal para a China, em 20 de dezembro de 1999, "há mais chineses a aprender português", apontou.
O ensino do português cresceu em Macau nas escolas, em alunos e professores nos últimos 20 anos sob administração chinesa, segundo dados divulgados pelo Governo, em novembro.
O total de alunos com português no ensino primário e secundário no ano letivo de 1999/2000, aquando da passagem da administração portuguesa do território para a China, era de 6.838. Este ano letivo, são 8.000.
Um fator visto como positivo pela conselheira, responsável pelo Círculo China, Macau e Hong Kong, que sustentou que "quanto maior for o número de pessoas a aprender português, mais Macau tem a sua importância de plataforma" entre a China e os países de língua portuguesa.
"A China quer mais de Portugal, quer estreitar ainda mais as parcerias com os empresários", vincou, sublinhando que "através de Macau, muitos investimentos foram feitos em Portugal" e vice-versa.
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