ENTREVISTA: Macau/20 anos: Falta pessoal para enfrentar desafios e expandir serviços da Cáritas — secretário-geral
Macau, China, 25 nov 2019 (Lusa) -- O secretário-geral da Cáritas Macau disse em entrevista à Lusa que falta pessoal à instituição para enfrentar os futuros desafios e para garantir a expansão dos serviços de apoio social no território.
"A falta de pessoal é um grande desafio", admitiu Paul Pum, sublinhando que a maior carência é ao nível do pessoal médico, nomeadamente de enfermeiras.
"Não temos enfermeiras suficientes para enfrentarmos os desafios do futuro, pelo que não podemos expandir os nossos serviços", apontou o responsável da instituição desde 1991, primeiro enquanto assistente do diretor, depois na qualidade de secretário-geral.
"Precisamos de quem se dedique a servir as pessoas no âmbito da missão da Cáritas, seja remunerada [a prestação do serviço] ou em regime de voluntariado", acrescentou.
Paul Pum explicou que essa foi a razão pela qual a Cáritas já fez um apelo à comunidade das enfermeiros "para que se voluntariassem ou fizessem parte do pessoal em regime parcial".
O secretário-geral explicou que a expansão dos serviços passa não só pela admissão de mais utentes, mas em reforçar a resposta aos que já se encontram na instituição, com um foco, por exemplo, nos mais idosos e naqueles que apresentam constrangimentos ao nível da mobilidade.
"O envelhecimento da população é uma realidade, mas não temos tempo para nos preocuparmos, temos que nos preparar e ensinar a nova geração a cuidar dos mais velhos, como o estamos a fazer", frisou.
Contudo, o maior desafio estrutural para o secretário-geral da Cáritas Macau passa pela capacidade de a instituição definir e reforçar a sua missão que integre "diferentes fés e etnicidades".
Se no passado a Cáritas era maioritariamente constituída por portugueses e chineses e respondia às suas necessidades, "agora há que contar com os migrantes, porque há cerca de 190 mil em Macau", observou.
A Cáritas Macau providencia serviços sociais que abrangem os mais idosos e deficientes, passando pelo apoio dos mais jovens e menores, até às vítimas de violência doméstica.
Com um orçamento anual na ordem dos 400 milhões de patacas (44,7 milhões de euros), a instituição conta com 1.300 colaboradores. Destes, 90 são enfermeiros, 200 são assistentes sociais, sete são médicos e 20 têm funções como fisioterapeutas, terapeutas da fala e ocupacionais.
Dos utentes, cerca de 800 são idosos que se encontram em lares e 500 pessoas portadores de deficiências, sendo proporcionado cuidados ao domicílio a mais de 200 pessoas.
Outros 600 idosos que vivem sozinhos, que mantém alguma autonomia, são apoiados pela instituição, que providencia ainda um serviço de refeições ao domicílio a 500 pessoas na Taipa, Coloane e na zona norte da cidade.
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