ENTREVISTA: É vergonhoso chefe do Governo de Hong Kong usar confrontos para salvar crise de legitimidade — Amnistia Internacional (C/ÁUDIO E C/VÍDEO)
*** João Carreira (textos) e Miguel Mâncio (vídeo), enviados da agência Lusa ***
Hong Kong, China, 01 out 2019 (Lusa) -- O diretor da Amnistia Internacional (AI) em Hong Kong disse em entrevista à Lusa que "é vergonhoso" que a chefe do Governo do território use os confrontos entre polícia e manifestantes para salvar a crise de legitimidade política.
"É vergonhoso que a nossa chefe do Executivo, Carrie Lam, queira tirar vantagem do confronto entre os manifestantes e a polícia para salvar a crise de legitimidade" política que enfrenta atualmente, afirmou Man-kei Tam, numa entrevista na véspera da celebração dos 70 anos da fundação da República Popular da China, que se assinalam hoje.
O responsável da AI na ex-colónia britânica, agora administrada pela China, lembrou que, "por detrás das máscaras dos manifestantes e dos escudos da polícia, estão pessoas de Hong Kong".
"Carrie Lam tem de se demitir para responder às exigências dos manifestantes" e "para se criar uma comissão de inquérito independente", a "única possibilidade para se reduzir a possibilidade de existirem ainda maiores confrontos entre os manifestantes e a polícia", defendeu.
O Governo de Hong Kong anunciou a retirada formal das emendas à polémica lei da extradição que esteve na base da contestação social desde o início de junho.
Contudo, os manifestantes continuam a exigir que o Governo responda a quatro outras reivindicações: a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial e, finalmente, a demissão da chefe de Governo e consequente eleição por sufrágio universal para este cargo e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.
A transferência de Hong Kong para a República Popular da China, em 1997, decorreu sob o princípio "um país, dois sistemas".
Tal como acontece com Macau, para aquela região administrativa especial da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, com o Governo central chinês a ser responsável pelas relações externas e defesa.
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