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ENTREVISTA: Ativista/cantora está a proteger hino da contestação em Hong Kong das fações pró-Pequim (C/ÁUDIO E C/VÍDEO)

*** João Carreira (textos) e Miguel Mâncio (vídeo), enviados da agência Lusa ***



Hong Kong, China, 01 out 2019 (Lusa) -- A cantora e ativista pró-democracia Denise Ho disse que está a proteger os direitos de autor daquele que se transformou no hino da contestação em Hong Kong dos abusos de fações pró-Pequim.


"Basicamente, a minha empresa detém os direitos de autor. (...) Há algumas fações pró-Pequim que ilegalmente usaram a canção para fazerem a sua própria versão (...) e que estão a violar esses direitos", adiantou a artista cujo ativismo político a deixou fora do gigantesco circuito comercial chinês, mas conseguiu transformá-la numa das vozes mais importantes ligadas ao movimento pró-democracia.


"Isso está no meu domínio profissional e por isso ofereci-me para ajudar a salvaguardar este hino ou pelo menos para proteger as pessoas que estão por detrás dele", afirmou Denise Ho, em entrevista à Lusa, na véspera da celebração dos 70 anos da fundação da República Popular da China que se assinalam hoje.


A artista aproveitou para manifestar o seu respeito pela "velocidade e capacidade que os jovens têm demonstrado em conseguir que as coisas aconteçam", como "foi o caso do hino".


Em causa está uma canção da autoria de um grupo anónimo intitulada "Glory to Hong Kong" que ganhou popularidade em agosto entre os manifestantes, explicou a cantora que, nos últimos três meses, discursou na ONU e no Congresso norte-americano, em defesa do movimento pró-democracia.


Uma versão da canção adulterada por fações pró-Pequim foi bloqueada há menos de uma semana pelo Youtube por violar direitos de autor e cuja letra assumia uma posição e apoio à polícia da ex-colónia britânica.


O Governo de Hong Kong anunciou a retirada formal das emendas à polémica lei da extradição que esteve na base da contestação social desde o início de junho.


Contudo, os manifestantes continuam a exigir que o Governo responda a quatro outras reivindicações: a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial e, finalmente, a demissão da chefe de Governo e consequente eleição por sufrágio universal para este cargo e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.


A transferência de Hong Kong para a República Popular da China, em 1997, decorreu sob o princípio "um país, dois sistemas".


Tal como acontece com Macau, para aquela região administrativa especial da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, com o Governo central chinês a ser responsável pelas relações externas e defesa.



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Lusa/Fim