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Encarregado de negócios da China em Portugal assinala relacionamento bilateral “com sucesso” (C/ÁUDIO E VÍDEO)

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Lisboa, 09 jan 2020 (Lusa) -- O encarregado de Negócios da embaixada da República Popular da China em Portugal, Xu Zhida, defendeu na quarta-feira que a cooperação sino-portuguesa em várias áreas resulta de um relacionamento bilateral "com sucesso" entre os dois países.


"No ano passado comemorámos os 40 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre a China e Portugal, e ao longo destes 40 anos, graças aos esforços conjuntos dos dois países, o nosso relacionamento tem-se desenvolvido muito bem, com sucesso, com muitos êxitos", afirmou Xu à agêncoa Lusa, à margem do colóquio "Relações Portugal -- China/Macau - Cultura Ponte de Diálogos", em Lisboa.


Segundo o encarregado, "essa cooperação pragmática, tanto na área de finanças, energia, saúde, e também na alta tecnologia, é um fruto natural" do relacionamento bilateral.


Xu Zhida afirmou que, do lado chinês, se espera que a cooperação entre China e Portugal possa continuar e que seja reforçada, para que se possa "descobrir [e] desenvolver mais áreas de cooperação que trazem benefícios mútuos" aos dois países.


Sobre Macau, Xu, que desempenha também funções de vice-chefe de missão e de conselheiro na embaixada chinesa em Portugal, destacou que o território vai "desempenhar um papel muito positivo" nos próximos anos.


"Macau sempre desempenhou um papel de ponte, ou plataforma, de intercâmbio - tanto económico como cultural - entre Oriente e Ocidente, mas agora a China vai continuar a política da abertura ao mundo exterior, e essa porta da abertura da China vai ser ampliada, em vez de fechada, e diria que Macau é uma das portas da abertura da China no futuro", assinalou o diplomata.


Nesse aspeto, Xu Zhida assinala três vertentes para Macau: ser plataforma para o relacionamento bilateral entre China e Portugal e restantes países de língua portuguesa, promotor do intercâmbio económico, comercial e cultural no Fórum da Cooperação Económica e Comercial, e ser uma cidade focal nas estratégias chinesa da Nova Rota da Seda e da Grande Baía.


A importância de Macau nesta última estratégia - que junta outra Região Administrativa Especial (RAE), Hong Kong, e, entre outras, a cidade de Cantão - foi também defendida por Rodrigo Brum, secretário-geral-adjunto do Fórum Macau.


"De Macau pode esperar-se muita coisa, mas desde logo talvez valha a pena salientar que Macau está integrado naquilo que se chama o projeto da Grande Baía (...), que é um projeto de iniciativa da China e que reúne nove cidades", explicou Rodrigo Brum.


O dirigente apontou que o produto interno bruto (PIB) da região representa 11% do da República Popular da China.


"Estamos a falar de uma região que, se fosse comparada a um país, seria, para aí, a 10.ª nação do mundo" em termos de PIB nominal, referiu Rodrigo Brum, que acrescentou tratar-se da zona de maior crescimento da China e que, "portanto, tem um futuro auspicioso".


A agenda do Fórum Macau, que se assume como uma ponte entre China e países lusófonos, para este ano não abrandará face ao ano passado, durante o qual foram assinalados os 20 anos da transferência da administração da RAE Macau de Portugal e os 40 anos das relações diplomáticas sino-portuguesas.


"Existem inúmeras áreas [abordadas em colóquios organizados pelo Fórum, como cultura, economia, comércio], mas talvez neste momento o mais importante e a realizar (...) no final deste primeiro semestre será a futura próxima conferência ministerial, que reúne os nove países que integram o Fórum Macau", concluiu Rodrigo Brum.


O colóquio hoje organizado pela União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), na sua sede, em Lisboa, contou com o apoio da Delegação Económica e Comercial de Macau, da Fundação Oriente e do Observatório da China, e teve como objetivo refletir sobre as relações entre Portugal e a República Popular da China, bem como a interinfluência multifacetada a nível cultural.


Estiveram presentes o secretário-geral da UCCLA, Vítor Ramalho, o secretário-geral adjunto do Fórum Macau, indicado pelos países de língua portuguesa, Rodrigo Brum, o administrador da Fundação Oriente, João Amorim, o presidente do Observatório da China, Rui Lourido, e Carolina Quintela, curadora da exposição "O Fio Invisível - Arte Contemporânea Portugal - Macau | China", acolhida pela sede da UCCLA.


O general Rocha Vieira, governador de Macau aquando do processo de transferência, teve também uma intervenção durante o colóquio.



JYO // SR


Lusa/Fim