1111 Empregadas domésticas denunciam casos de exploração laboral em Macau
Associações de trabalhadoras domésticas em Macau denunciaram à Lusa casos de exploração laboral, desde cortes nos salários à obrigação de ficarem em casa dos patrões, desde que foram adotadas medidas excecionais devido ao novo coronavírus.
Para além da redução nos vencimentos acordados e da obrigatoriedade de permanecer em casa dos patrões em condições pouco dignas, as empregadas domésticas dão conta de um número crescente de outros casos que configuram exploração laboral, depois de o Governo ter encerrado praticamente todos os espaços comerciais, culturais e desportivos e de ter enviado milhares de trabalhadores e alunos para casa.
A presidente da União Verde dos Trabalhadores Migrantes das Filipinas em Macau adiantou que a organização avançou já com inquéritos junto das trabalhadoras (sobretudo filipinas) para detalhar a natureza das queixas.
A intenção, esclareceu Nedie Taberdo, é de posteriormente, exercer pressão junto das autoridades de Macau, especialmente junto da Direção dos Serviços para os Assuntos Laborais, para protegerem os direitos laborais das trabalhadoras.
Já a presidente da União Progressista dos Trabalhadores Domésticos de Macau, Jassy Santos, acrescentou outros ‘atropelos’ aos direitos das empregadas domésticas: despedimentos, horas extraordinárias sem o respetivo pagamento e o facto de não serem disponibilizadas máscaras ou produtos desinfetantes às trabalhadoras, forçadas a ficar em casa dos patrões sem direito a quarto ou mesmo uma cama.
Macau conta atualmente com nove pessoas infetadas, que, nos próximos dias, podem receber alta, de acordo com as autoridades, que sublinharam já o facto de não terem sido identificados mais casos há cinco dias consecutivos.
As autoridades do antigo território administrado por Portugal adotaram uma série de medidas excecionais, que passaram pelo encerramento de casinos, pelo envio de trabalhadores da função pública para casa e pela suspensão das aulas, obrigando muitas crianças e jovens a permanecerem nos seus lares.
As medidas praticamente paralisaram a economia, com os empregadores privados a enviarem também os trabalhadores para casa, muitos deles a garantirem o trabalho igualmente à distância.
João Carreira