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Deputada pró-democracia e líder dos advogados de Hong Kong condenam detenção de ativistas

*** João Carreira (texto) e Miguel Mâncio (vídeo), enviados da agência Lusa ***



Hong Kong, China, 30 ago 2019 (Lusa) -- A deputada pró-democracia Claudia Mo e o presidente da Ordem dos Advogados de Hong Kong condenaram hoje a série de detenções de ativistas políticos, em declarações à agência Lusa.


A deputada no parlamento da região administrativa especial chinesa defendeu que as autoridades estão "a deitar combustível no fogo", enquanto Philip Dykes sublinhou com ironia que, pelo que se conhece de algumas das acusações, "podia deter-se metade da população de Hong Kong".


Cláudia Mo sustentou que a forma como ocorreu a detenção do "líder icónico" Joshua Wong assemelha-se a "um sequestro" e estranha "o timing".


A deputada, reeleita em 2016 pelo distrito de Kowloon West, frisou que esta foi uma mensagem das autoridades, calculada, uma "ameaça judicial" sobre "aqueles que ousarem participar ou organizar protestos".


"Esta não é a Hong Kong que eu conheço", lamentou, frisando que com a proibição do protesto previsto para sábado e com estas detenções "o Governo e a polícia estão a deitar combustível sobre o fogo".


Mo disse acreditar que as autoridades estão confortáveis com dois possíveis resultados desta "ação calculada".


Por um lado, avaliou, podem conseguir afastar as pessoas das ruas. Por outro, podem arranjar "uma desculpa para invocar legislação de emergência" que daria poderes especiais e reforçados à chefe do Governo, Carrie Lam, o suficiente para "fecharem Hong Kong", concluiu.


Já Philip Dykes reagiu com ironia à detenção de alguns ativistas. Uma das acusações feitas pelas autoridades prende-se com a participação dos ativistas em manifestações não autorizadas.


"Podia deter-se metade da população de Hong Kong por isso", afirmou.


O presidente da Ordem dos Advogados de Hong Kong frisou que "se se for cínico" pode sustentar-se que escolheram estes ativistas pró-democracia para deixarem o aviso a todos os que "levantarem a cabeça" que podem ser alvo de um processo judicial.


Quanto à proibição do protesto convocado para sábado, Dykes afirmou que com esta decisão a polícia terá avaliado como aceitável o risco de desordem que pode resultar de uma marcha não autorizada, quando poderia ter o policiamento facilitado se permitisse uma manifestação, com regras estabelecidas à partida.


Os ativistas políticos Joshua Wong e Agnes Chow e pelo menos outras quatro pessoas, entre elas um deputado, foram detidas esta semana.


Andy Chan, líder de um movimento pró-independência, foi detido no aeroporto quinta-feira à noite. Três outras pessoas foram detidas no início desta semana por vandalizarem o edifício do parlamento de Hong Kong durante a invasão ao Conselho Legislativo a 01 de julho.


Sobre a detenção de Andy Chan, a polícia informou que pende sobre o ativista a suspeita de ter participado em motins, sendo ainda acusado de agressões a polícias.


Já Wong e Agnes Chow, detidos hoje e libertados sob fiança, estão a ser investigados pelo seu papel num protesto não autorizado em 21 de junho, no exterior de uma esquadra. Ambos são responsáveis, de acordo com as autoridades, por participarem no protesto e incitarem outras pessoas a manifestarem-se. Wong também é acusado de organizar o protesto.


Wong é secretário-geral do partido Demosisto -- que defende a autodeterminação do território - e Chow uma das suas dirigentes proeminentes.


O dia de hoje ficou marcado também pelo cancelamento de uma manifestação e uma marcha previstas para sábado.


O anúncio foi feito pelo próprio movimento que tem liderado desde junho os maiores protestos em Hong Kong, após perder o recurso contra a decisão da polícia de proibir as iniciativas.


A organização lamentou que, com a proibição do protesto, as autoridades de Hong Kong estejam "a violar um direito básico da população".


As detenções efetuadas pela polícia surgem, também, um dia após a entrada de tropas chinesas na cidade para renderem as que estão estacionadas na guarnição do Exército de Libertação do Povo. Uma operação de rotina, segundo Pequim, uma forma de intimidação, de acordo com deputados e ativistas pró-democracia.


Com os protestos, que duram quase há três meses em Hong Kong, exige-se resposta a cinco reivindicações: a retirada definitiva da lei da extradição, a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial, a demissão da chefe de governo Carrie Lam e sufrágio universal nas eleições para este cargo e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.



JMC // ANP


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