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Covid-19: ONG moçambicana diz que medidas de prevenção são “manifestamente insignificantes”

Maputo, 19 mar 2020 (Lusa) - A organização não-governamental Centro de Integridade Pública (CIP) defendeu hoje que as medidas de prevenção anunciadas pelo executivo moçambicano, para fazer face ao novo coronavírus são "manifestamente insignificantes", considerando que o Governo está a colocar as famílias em risco.


"As medidas anunciadas pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, para fazer face à emergência do [novo] coronavírus em Moçambique são manifestamente insignificantes face à dimensão da ameaça na região e colocam em situação de risco as famílias moçambicanas", lê-se numa nota do CIP.


Para a organização não-governamental (ONG), o Governo deve reforçar as medidas de segurança, declarando estado de emergência nacional, nos termos da Constituição da República, tendo em conta que pelo menos quatro países com os quais Moçambique faz fronteira já registaram casos da doença, nomeadamente África do Sul, eSwatini, Zâmbia e Zimbabué .


"É apenas uma questão de tempo até que em Moçambique sejam detetados casos de Covid-19, daí a necessidade do Governo tomar medidas mais consistentes de prevenção",refere o CIP.


Entre as medidas de prevenção propostas pela ONG destaca-se a imposição de quarentena obrigatória nas unidades de saúde para moçambicanos provenientes de países com casos confirmados e o encerramento de todas as escolas por, pelo menos, duas semanas, além da interdição da entrada de cidadãos estrangeiros oriundos de países que registaram casos da doença e a suspensão de eventos com mais de 100 pessoas.


Apesar de não existir ainda um caso confirmado em Moçambique, o país elevou o estado de alerta e reforçou as medidas de prevenção, anunciou, no sábado, o chefe de Estado, Filipe Nyusi.


Nyusi anunciou ainda que o Governo moçambicano vai igualmente suspender "a organização e participação em todo o tipo de eventos com mais de 300 pessoas e desencorajar que os mesmos ocorram em espaços fechados e sem ventilação adequada".


O chefe de Estado fez um apelo para que instituições públicas e privadas aumentem a "divulgação de medidas" de prevenção da Covid-19 e pediu "o esforço de todos" para que o novo coronavírus "tenha dificuldade em chegar a Moçambique".


O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, infetou mais de 210 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 8.750 morreram.


Das pessoas infetadas, mais de 84.000 recuperaram da doença.


A China anunciou hoje não ter registado novas infeções locais nas últimas 24 horas, o que acontece pela primeira vez desde o início da pandemia. No entanto registou 34 novos casos importados.


O surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se já por 173 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.


No total, desde o início do surto, em dezembro passado, as autoridades da China continental, que exclui Macau e Hong Kong, contabilizaram 80.894 infeções diagnosticadas, incluindo 69.614 casos que já recuperaram, enquanto o total de mortos se fixou nos 3.237.


Os países mais afetados depois da China são a Itália, com 2.978 mortes em 35.713 casos, o Irão, com 1.135 mortes (17.361 casos), a Espanha, com 638 mortes (14.769 casos) e a França com 264 mortes (9.134 casos).


Face ao avanço da pandemia, vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.



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