Covid-19: Governo são-tomense confirma entrada no país de cidadãos de países afetados
São Tomé, 12 mar (Lusa) - O ministro da saúde, Edgar Neves, confirmou hoje a existência em São Tomé e Príncipe de cidadãos provenientes de países afetados pelo novo coronavírus, mas as autoridades sanitárias "estão a acompanhar de perto" estes casos.
"A nossa equipa de vigilância epidemiológica está a acompanhar de perto estas situações. Nós temos a informação dos cidadãos que entram e fazemos o devido seguimento", disse o ministro da Saúde.
Fonte hospitalar disse à Lusa que há cerca de uma semana teria entrado no país, primeiro um cidadão chinês, oriundo de Pequim, e mais recentemente dois cidadãos italianos que residem em São Tomé, mas que foram passar ferias no país de origem.
A mesma fonte adiantou que o cidadão chinês foi colocado em quarentena, na sua residência, no bairro do Hospital, mas depois retirado do local por orientação diplomática.
Os italianos que se deslocaram para São Tomé num dos voo da Transportadora Área Portuguesa (TAP) alojaram-se inicialmente num hotel da capital, tendo-se transferido posteriormente para uma residência no centro da cidade.
"Nós temos conhecimento destes cidadãos e fazemos o devido seguimento e quarentena domiciliar, sobretudo, e eventualmente outras medidas de aconselhamento", explicou o ministro da Saúde.
O receio de que pudesse haver cidadãos estrangeiros em são Tomé e Príncipe com o novo coronavírus começou a espalhar-se no arquipélago.
"É natural que haja muita especulação, mas é muito importante guiarem-se pelas fontes seguras que são o próprio Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS)", apelou Edgar Neves.
No entanto, o governante congratula-se com o facto das populações estarem "vigilantes e se preocuparem com problemas relevantes da sociedade".
"As redes sociais dizem muitas coisas que não são verdade, de qualquer forma nós nunca fechamos as portas em ouvir as pessoas. É muito importante, nesta fase, neste momento ouvir. Se é verdade é, se não é nós damos o devido esclarecimento", explicou Edgar Neves.
O ministro acrescentou: "Estamos numa frente de luta em que todos os cidadãos são soldados. Todo o cidadão residente no país é combatente neste momento".
O novo coronavírus responsável pela Covid-19 foi detetado em dezembro, na China, e já provocou mais de 4.600 mortos em todo o mundo, levando a Organização Mundial de Saúde a declarar a doença como pandemia.
O número de infetados ultrapassou as 125 mil pessoas, com casos registados em cerca de 120 países e territórios, incluindo Portugal, que tem 78 casos confirmados.
A China registou nas últimas 24 horas 15 novos casos de infeção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), o número mais baixo desde que iniciou a contagem diária, em janeiro.
Até à meia-noite de quarta-feira (16:00 horas em Lisboa), o número de mortos na China continental, que exclui Macau e Hong Kong, subiu em 11, para 3.169. No total, o país soma 80.793 infetados.
Face ao avanço da pandemia, vários países têm adotado medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena inicialmente decretado pela China na zona do surto.
A Itália é o caso mais grave depois da China, com mais de 12.000 infetados e pelo menos 827 mortos, o que levou o Governo a decretar a quarentena em todo o país.
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