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Covid-19: Áustria encerra maioria dos estabelecimentos e suspende várias ligações aéreas

Viena, 13 mar 2020 (Lusa) -- A Áustria ordenou hoje o encerramento de todos os estabelecimentos comerciais a partir de segunda-feira, à exceção de supermercados, farmácias, estações de gasolina e bancos, e suspendeu as ligações aéreas com vários países europeus, incluindo Espanha, França e Suíça.


Através destas medidas, o Governo austríaco espera conter o aumento exponencial dos contágios da pandemia de Covid-19, referiu em conferência de imprensa o chanceler (primeiro-ministro) do país, o conservador Sebastian Kurz.


Para combater alguns focos de contágio, e numa medida inédita no país, as autoridades vão colocar de quarentena durante duas semanas duas zonas no Tirol austríaco, onde todos os hotéis foram hoje encerrados.


As localidades mais conhecidas afetadas por estas medidas restritivas, junto à fronteira com a Itália e que têm registado um elevado número de contaminações, são as estações de esqui de Ischgl e Sankt Anton.


Os turistas estrangeiros que se encontrem nestes locais, em particular estações de esqui, poderão regressar aos seus países de origem. Os viajantes austríacos que se encontrem em Espanha, França e Suíça, "onde o coronavírus se propaga particularmente depressa", vão ser chamados a regressar o mais rapidamente possível ao seu país.


Numa referência às relações laborais, Kurz apelou a todos os empresários que permitam aos seus empregados que trabalhem a partir de casa.


"A partir de segunda-feira, deveremos reduzir ao mínimo a nossa vida social. Fazemo-lo para proteger o melhor possível os mais idosos", disse Kurz, enquanto garantiu o abastecimento de bens de primeira necessidade, incluindo alimentos.


"Ninguém deve ter receio, o abastecimento básico não está em perigo", assegurou o chanceler numa referência às compras massivas nos supermercados que se registaram hoje em todo o país.


Para mitigar os efeitos do vírus na economia, o executivo austríaco -- uma coligação entre os democratas-cristãos de Kurz e os Verdes ecologistas -- apresentará no sábado "um pacote de ajudas económicas".


Em simultâneo, o ministro do Interior, Karl Nehammer, desmentiu de forma categórica informações que circulam nas redes sociais sobre um suposto recolher obrigatório no país.


A Áustria, onde todos as escolas vão ser encerradas a partir de segunda-feira, registou até a momento 422 casos positivos da doença, com um morto, apesar de as autoridades anteciparem um forte aumento de casos nos próximos dias.


Desde há vários dias que o Governo austríaco vem anunciado medidas e restrições contra a propagação da doença.


O novo coronavírus responsável pela Covid-19 foi detetado em dezembro, na China, e já provocou mais de 4.900 mortos em todo o mundo, levando a Organização Mundial de Saúde a declarar a doença como pandemia.


O número de infetados ultrapassou as 131 mil pessoas, com casos registados em mais de 120 países e territórios, incluindo Portugal, que tem 112 casos confirmados.


A China registou nas últimas 24 horas oito novos casos de infeção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), o número mais baixo desde que iniciou a contagem diária, em janeiro.


Até à meia-noite de quinta-feira (16:00 horas de quarta-feira, em Lisboa), o número de mortos na China continental, que exclui Macau e Hong Kong, subiu para 3.176, após terem sido contabilizadas mais sete vítimas fatais. No total, o país soma 80.813 infetados.


A Comissão Nacional de Saúde informou que até à data 64.111 pessoas receberam alta após terem superado a doença.


Face ao avanço da pandemia, vários países têm adotado medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena inicialmente decretado pela China na zona do surto.


A Itália é o caso mais grave depois da China, com mais de 15.000 infetados e pelo menos 1.016 mortos, o que levou o Governo a decretar a quarentena em todo o país.



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Lusa/Fim