Concessionários de jogo dos EUA em Macau estão em igualdade com asiáticos – Fitch
Hong Kong, China, 21 nov 2019 (Lusa) - A agência de 'rating' Fitch considera que a concessão de novas licenças de jogo em Macau não vai ser negativa para as empresas dos Estados Unidos da América (EUA), mesmo tendo em conta que os outros concorrentes são asiáticos.
"Não antevemos que os norte-americanos concessionários em Macau sejam prejudicados por isso, devendo ser tratados da mesma maneira que os seus concorrentes asiáticos devido ao grande volume de investimento externo, ao sentimento local positivo sobre os concessionários e pelo impacto adversão que uma nacionalização efetiva do jogo teria no investimento externo, de forma geral, no resto da China e nas suas regiões administrativas espaciais", escrevem os analistas.
Num comentário especial que surge cerca de um mês depois de visitarem Macau e Singapura, os analistas da Fitch Ratings, sediados em Hong Kong, alertam, ainda assim, que "o risco de um sétimo concessionário, obrigação de aumento de investimento e alterações fiscais, ainda que menos prováveis, continuam, mas são comportáveis".
No relatório que dá conta da visita, a Fitch escreve que o declínio no segmento VIP, ou seja, dos jogadores de altas apostas, "é atribuído principalmente ao enfraquecimento das condições macroeconómicas na China, exacerbadas pela tensão comercial" entre os EUA e o gigante asiático.
Além destes fatores, os principais, são também referidos a desvalorização da moeda chinesa, a menor liquidez para os 'junckets' (angariadores de jogadores VIP), o jogo online no continente, os desafios à movimentação de dinheiro e a menor carga fiscal noutras jurisdições asiáticas.
A violência em Hong Kong, segundo os analistas, é desvalorizada pelas autoridades, operadores e outros responsáveis que se reuniram com os analistas da Fitch Ratings durante a visita do mês passado.
"Ninguém estava otimista sobre este segmento e sentem que há mais riscos para este mercado, principalmente se a tensão entre os Estados Unidos e a China escalar e se tiver um impacto maior nas empresas chinesas e nos donos do imobiliário", lê-se na nota.
O mercado dos jogadores médios cresceu 17% de janeiro a setembro, e a nova oferta que aponta para os jogadores de massa, mas de nível superior, "sustenta a convicção de que este segmento terá um crescimento sustentado, impulsionado pela subida da oferta de quartos" para este segmento em Macau.
"Continuamos positivos sobre o potencial de longo prazo deste segmento, sustentado pelos operadores, devido ao crescimento da classe média da China e pelos melhoramentos nas infraestruturas na e á volta da Área da Grande Baía", escreve a Fitch.
Este tipo de jogo representou 53% do total das receitas de jogo em Macau este ano, e foi a primeira vez que excedeu o montante recebido através dos jogadores VIP, escreve a agência de rating.
A Fitch conclui que "os operadores enfatizaram a necessidade de disponibilizar cada vez mais ofertas para continuarem competitivos para estes consumidores de nível médio alto, como na área alimentar e do entretenimento".
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