China convoca embaixador dos Estados Unidos para contestar lei sobre Hong Kong
Pequim, 26 nov 2019 (Lusa) - O Governo chinês convocou hoje o embaixador dos Estados Unidos em Pequim para contestar a aprovação pelo Congresso norte-americano da "Lei dos Direitos Humanos e Democracia em Hong Kong", que permitiria a Washington sancionar autoridades chinesas.
Segundo um comunicado divulgado hoje pelo ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, o vice-ministro Zheng Zeguang exigiu que os Estados Unidos "corrigissem imediatamente os seus erros" e "parassem de interferir nos assuntos de Hong Kong", que a China considera "exclusivamente internos".
Para o vice-ministro, a aprovação daquele projeto de lei permitiria aos Estados Unidos "interferir abertamente" nos assuntos internos da China, o que "infringiria gravemente" as leis internacionais.
Zheng considerou que a lei não tem em conta a realidade de Hong Kong e que apoia atos de "crime e violência" contra a China, procurando tornar a cidade "caótica".
"Qualquer tentativa de minar a estabilidade e a prosperidade de Hong Kong nunca terá sucesso", lê-se na mesma nota, que exige que o Presidente norte-americano, Donald Trump, não ratifique a lei.
"Caso contrário, serão os Estados Unidos a sofrer todas as consequências", avisou Zheng.
O Congresso dos Estados Unidos aprovou, na semana passada, por esmagadora maioria, uma resolução de apoio aos direitos humanos e à democracia em Hong Kong, um dia após a aprovação do projeto no Senado.
A Câmara dos Representantes aprovou a resolução por 417 votos a favor e apenas um contra, provocando a ira de Pequim.
O texto prevê sanções contra autoridades chinesas responsáveis por violações dos direitos humanos na antiga colónia britânica, como detenções arbitrárias e extrajudiciais, tortura ou confissões forçadas.
O texto, que põe em causa o estatuto comercial de que beneficia atualmente a região administrativa especial chinesa, ainda não foi assinado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, mas a Casa Branca não ameaçou vetar.
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