Caso Melancia: Acórdão “peca por ter levado seis meses” – Melancia
Arquivo Lusa 1999
Portalegre, 25 Nov (Lusa) - O ex-governador de Macau Carlos Melancia afirmou que "peca por ter levado seis meses a ser pronunciado" o acórdão hoje divulgado que o absolveu do crime de corrupção passiva, no chamado "caso do fax de Macau".
Carlos Melancia, em declarações à Agência Lusa, sublinhou que "já tinha ficado provado, na primeira instância, que essa acusação não tinha fundamento", visto que a sentença já o tinha absolvido, considerando "positivo" o acórdão hoje divulgado.
O Supremo Tribunal de Justiça rejeitou hoje o recurso do Ministério Público no âmbito do caso do ex-governador de Macau, pelo que se mantém a decisão da primeira instância que o absolveu do crime de corrupção passiva.
A decisão constante do acórdão hoje divulgado, que teve como relator o juiz conselheiro Fisher Sá Nogueira, foi tomada por unanimidade, sendo os restantes conselheiros Costa Pereira, Sousa Guedes e Nunes da Cruz.
Carlos Melancia afirmou que "não é possível nestas situações, que pessoas que desempenham cargos políticos estejam sujeitas a estas demoras, com esta extensão, porque na prática cria na opinião pública dúvidas sobre a veracidade ou não dos factos de que são acusados".
Para o empresário, "durante esse intervalo tudo se passa como se se fizesse um julgamento na praça pública", situação que considera "não ser concebível num país de direito e democrático".
O ex-governador de Macau referiu ainda que depois de ter ocupado aquele cargo deixou "definitivamente a vida política".
"Paga-se um preço muito alto quando se quer defender os interesses nacionais, como eu fiz", acrescentou.
Depois de ter deixado de ser governador de Macau, Carlos Melancia instalou-se no Alentejo, onde tinha casa há cerca de 20 anos, recomeçando a sua actividade como empresário.
Melancia conseguiu "mobilizar recursos" para fazer um hotel em Castelo de Vide, e um campo de golfe na Portagem, concelho de Marvão, distrito de Portalegre.
O empresário está ainda envolvido na tentativa de recuperação de uma empresa do sector da cortiça, a "Robinson", em Portalegre.
Carlos Melancia sublinhou que estas empresas ocupam-lhe completamente o tempo e fazem-no "esquecer definitivamente as demoras e lentidão com que a justiça nos brinda".
Lusa/Fim