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Cardeal diz que acordo entre Vaticano e China vai ajudar a Igreja no país

epa04349057 A handout picture made available on 11 August 2014 by Vatican newspaper Osservatore Romano shows Pope Francis (L) meeting with Cardinal Fernando Filoni (R) in the Vatican, 10 August 2014. Pope Francis appointed Cardinal Fernando Filoni as his personal envoy to Iraq. Filoni is tasked with bringing the pope's personal message of solidarity as well as financial aid. Iraq has suffered increasing violence during the last year, much of it blamed on the Islamic State.  EPA/OSSERVATORE ROMANO / HANDOUT  HANDOUT EDITORIAL USE ONLY/NO SALES

O prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, cardeal Fernando Filoni, afirmou na segunda-feira, 04 de março, em Macau, que o “acordo pastoral” entre o Vaticano e a China “vai ajudar muito a Igreja” católica no país.

Fernando Filoni presidiu à inauguração oficial das novas instalações da Universidade de São José, em Macau, que juntou mais de 500 pessoas no auditório para assistirem à missa.

Macau, tal como Hong Kong, são os únicos locais em toda a China onde a autoridade do papa é aceite.

À margem do evento, o cardeal sublinhou aos jornalistas que o acordo “vai ser muito bom para a Igreja no futuro e para a China também”.

“A China já está muito aberta”, disse, “no comércio, na vida política, na realidade está muito aberta”.

“Quando eu vou a África encontro chineses em toda a África”, frisou o cardeal, depois da cerimónia de bênção das instalações e de uma missa celebrada no auditório da universidade.

Em português, o prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos lembrou que este acordo “não é político, não é diplomático é pastoral”.

O acordo, a ser implementado em dois anos e que põe fim a mais de 70 anos de antagonismo entre Pequim e o Vaticano, concede a Pequim uma palavra na nomeação dos bispos.

China e Vaticano romperam os laços diplomáticos em 1951, depois de Pio XII excomungar os bispos designados pelo Governo chinês.

Os católicos chineses dividiram-se então entre duas igrejas: a Associação Católica Patriótica Chinesa, aprovada por Pequim, e a clandestina, que continuou fiel ao Vaticano.

O Vaticano considera que é um direito seu nomear os bispos, visando preservar a sucessão apostólica que remonta aos apóstolos de Jesus Cristo. A China considera a exigência do Vaticano uma violação da soberania.

Devido à disputa, o regime chinês nomeou, ao longo das últimas décadas, vários bispos sem o consentimento do papa, alguns dos quais foram depois excomungados pelo Vaticano.

Os padres que se mantiveram fiéis ao Vaticano são frequentemente detidos ou perseguidos.

Francisco, e antes dele o papa Bento XVI, tentaram unir as duas igrejas, e anos de negociações culminaram num acordo, assinado em setembro do ano passado, que inclui o reconhecimento pelo Vaticano de sete bispos nomeados por Pequim, enquanto dois bispos da igreja clandestina terão que se afastar.

O texto provisório, que poderá ser revisto periodicamente, “é uma esperança para todos”, afirmou Fernando Filoni.

Em relação às possíveis dificuldades que possam surgir na prática deste acordo, o cardeal preferiu uma mensagem de confiança: “na vida há sempre dificuldades. Vamos estabelecer antes de tudo uma confiança recíproca e isso vai ser muito útil para o entendimento de todos”.

Já em relação ao facto dos alunos no interior da China não poderem estudar na Universidade católica de São José, o cardeal mostrou-se confiança que tal possa vir a aconteça no futuro.

“Isso pertence ao futuro, mas espero que sim”, afirmou, acrescentando que “esta estrutura universitária pode ser aproveitada por todos”

“A cultura não pode ser limitada a poucas pessoas ou a poucos lugares, uma cultura que não é aberta não é uma cultura”, considerou.

Em Macau desde sábado, o cardeal celebrou uma eucaristia na Sé Episcopal, no domingo, e presidiu a um encontro de sacerdote naquele que é um dos principais centros católicos da Ásia.

Antes, Fernando Filoni esteve em Taiwan, ilha com perto de 300 mil católicos e onde a Igreja católica desenvolve um importante trabalho educativo, médico e de solidariedade, onde presidiu na sexta-feira ao 4.º Congresso Eucarístico de Taiwan, como enviado especial do papa.

Segundo a Vatican News, Fernando Filoni falou sobre a importância da obra missionária, "tão necessária nesta ilha de Taiwan, onde a Igreja é uma pequena realidade, apesar de tantos anos de evangelização e tantas obras sociais e educacionais apreciáveis".

Em meados de dezembro, a líder de Taiwan, Tsai Ing-wen, convidou o papa a visitar a ilha.

Este é o terceiro convite que Taiwan envia a Francisco para que visite a ilha, com perto de 300 mil católicos e onde a Igreja católica desenvolve um importante trabalho educativo, médico e de solidariedade.

Embora o Vaticano seja aliado diplomático de Taiwan, não é provável que Francisco aceite o convite das autoridades da ilha, devido às divergências políticas entre Taipé e Pequim, e à aproximação entre o Estado católico à China, que resultou na assinatura de importantes acordos este ano.

Miguel Mâncio