Cantora de Hong Kong pede apoio internacional contra erosão de autonomia face à China
Genebra, 08 jul 2019 (Lusa) -- A cantora de Hong Kong Denise Ho pediu hoje apoio à comunidade internacional e à imprensa contra "a erosão" da autonomia de Hong Kong em relação à China, depois de meses de protestos contra uma lei sobre extradição.
Denise Ho, também conhecida por ser ativista LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) salientou, numa sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que Hong Kong "é, provavelmente, o único lugar no mundo que está a enfrentar o enorme poder que é atualmente a China".
O discurso de Denise Ho no Conselho dos Direitos Humanos foi interrompido pelo representante da China, situação muito rara naquela assembleia.
A interrupção aconteceu quando a cantora e ativista defendia que a lei de extradição para a China "irá remover o mecanismo que protege Hong Kong da interferência do Governo chinês".
Nessa altura, o representante da China, Dai Demao, pediu para ser feito um "ponto de ordem" na mesa e afirmou que mencionar "Hong Kong à margem da China" é uma "afronta ao princípio de uma só China e aos princípios da Carta das Nações Unidas.
Alguns segundos depois, Dai Demao interrompeu de novo a cantora para protestar contra as suas "alegações infundadas sobre o modelo 'Um país, dois sistemas'".
"Irá a ONU convocar uma sessão de emergência para proteger o povo de Hong Kong, tendo em conta os abusos?" e "a ONU retirará a China deste Conselho de Direitos Humanos?", questionou Denise Ho a seguir às interrupções.
Algumas horas antes da sua intervenção, Denise Ho também pediu, em entrevista à agência AFP, aos Estados Unidos para apoiarem os protestos de Hong Kong sobre "direitos humanos" e "democracia".
Os protestos em Hong Kong começaram em março, mas ganharam força em junho, e visam suspender uma lei local que facilita a extradição de suspeitos de crimes da ilha de Hong Kong para a China.
De acordo com os movimentos pró-democracia, a adoção de uma lei destas põe em risco os dissidentes e críticos do regime comunista de Pequim, que passa a poder "ir buscá-los" a Hong Kong para os processar na China.
Em junho, um dos protestos juntou dois milhões de pessoas, (ou seja, quase um quarto da população da ex-colónia britânica), segundo os organizadores.
De acordo com a mesma fonte, esse terá sido o maior protesto da história de Hong Kong, e conseguiu reavivar o movimento contra a China registado em 2014, na chamada Revolução dos Guarda-chuvas, que defendia o sufrágio universal.
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