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Banco de Moçambique garante que dívida com a China “é bem-vinda” e não sufoca o país (C/ÁUDIO)

*** Serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***



Macau, China, 31 mai 2019 (Lusa) -- O governador do Banco de Moçambique disse hoje em Macau que a dívida com a China "não sufoca" o país, "é bem-vinda" e "alavanca o crescimento" da economia.


"Não é uma dívida que nos sufoca, por enquanto não há uma perspetiva de que nos vai criar problemas. Pelo contrário, este tipo de dívida é bem-vinda ao país porque ela alavanca o crescimento", afirmou Rogério Lucas Zandamela, à margem de uma conferência do 10.º Fórum Investimento e Construção de Infraestruturas (IIICF, na sigla em inglês), que termina hoje em Macau.


O responsável do Banco de Moçambique ressalvou, sem adiantar o montante, que não se trata de uma dívida especulativa e que foi aplicada para promover investimentos.


"Sabe-se onde é que se aplicou o dinheiro, em que tipo de atividades, houve uma avaliação dos projetos de ambas as partes, há um conservadorismo muito bem conhecido dos nossos parceiros chineses", argumentos que enumera para afirmar que não há razões para qualquer receio.


Recorde-se que na terça-feira "a agência de notação financeira Fitch decidiu manter o 'rating' de Moçambique em Incumprimento Seletivo, antevendo que o PIB abrande para 2% e a dívida pública suba para 98,8% este ano e 103,4% em 2020.


"A Fitch projeta atualmente que os níveis de dívida aumentem para 98,8% do PIB [Produto Interno Bruto] em 2019 e aumentem para 103,4% em 2020, devido aos elevados défices nestes anos", lê-se na mais recente revisão do 'rating' de Moçambique.


"Esta dívida inclui a dívida comercial atualmente em incumprimento ['default', no original em inglês] e a dívida externa garantida" pelo Estado, acrescentam os analistas, que não esperam uma resolução da renegociação com os credores nos próximos tempos.


"A Fitch não espera uma resolução a curto prazo do 'default' devido às investigações judiciais em curso e à litigação sobre a dívida oculta", já que, por um lado, a acusação norte-americana e a ação judicial interposta por Moçambique em Londres "complicam o processo de resolução" e, por outro, "os progressos adicionais [nas negociações com os detentores de títulos de dívida] podem ser agravados pela aproximação das eleições de outubro".



JMC (MBA) // VM


Lusa/Fim