icon-ham
haitong

Assembleia Legislativa de Macau aprova taxa sobre sacos de plástico

Macau, China, 12 abr 2019 (Lusa) - A Assembleia Legislativa de Macau aprovou hoje, na generalidade, a proposta de lei que prevê a aplicação de uma taxa sobre os sacos de plástico no território.


Alguns deputados defenderam, no entanto, que a medida não é suficiente para combater o uso de plástico excessivo na cidade, com uma das maiores densidades populacionais do mundo e mais lixo 'per capita' do que Tóquio.


Neste sentido, vários parlamentares pediram ao Governo o alargamento da restrição a outros materiais, tais como a esferovite e as películas aderentes - abundantes nos supermercados - e mais medidas no âmbito da proteção ambiental.


Alguns criticaram o executivo pela apresentação tardia da proposta de lei, recordando as diretivas já lançadas anteriormente pelas Nações Unidas ou pelo Parlamento Europeu sobre o plástico descartável.


A diretiva europeia prevê a proibição de colocação de plásticos no mercado até 2021. Em Portugal, o Governo já anunciou que pretende antecipar os prazos da UE sobre plásticos descartáveis e eliminar já no segundo semestre de 2020.


"Esta proposta de lei anda a passo de caracol", criticou o deputado Sulu Sou, referindo que "há ainda muitas imperfeições quanto à redução do uso de sacos de plástico" em Macau.


O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, atribuiu o atraso à exigência dos regulamentos administrativos. "Levam muito tempo", sublinhou o responsável, que pediu ainda uma mudança dos hábitos e comportamentos da sociedade.


A proposta de lei prevê "o fornecimento de sacos de plástico nos atos de venda a retalho seja efetuado obrigatoriamente a título oneroso", através de "um preço a fixar por despacho do chefe do executivo".


Estava em cima da mesa a cobrança de uma pataca (cerca de 10 cêntimos) por cada saco de plástico, mas Raimundo do Rosário mostrou-se relutante sobre a eficácia deste valor, admitindo que o Governo pode vir a impor um valor maior.


A cobrança aplica-se a "todos os tipos de sacos de plástico", mas a lei prevê exceções "por razões de higiene e segurança", nomeadamente em casos de "medicamentos e alimentos não devidamente embalados".


Vários deputados e ativistas têm vindo a exigir medidas legislativas de proteção ambiental, em especial sobre o plástico descartável.


No final de agosto, uma petição contra o uso deste tipo de plástico reuniu milhares de assinaturas. Em resposta, o Governo prometeu "aprofundar gradualmente" o trabalho legislativo sobre proteção ambiental.


"Macau é uma cidade tão pequena e produz tanto lixo. O Governo tem de atacar este problema", disse à Lusa uma das responsáveis pela petição, Annie Lao.


Em Macau vivem mais de 656 mil habitantes em cerca de 35 quilómetros quadrados. Em 2018, o território recebeu 35,8 milhões de turistas.



FST // VM


Lusa/Fim