Abertura de linha ferroviária entre postos fronteiriços com Macau sem data definida
Pequim, 07 jan 2020 (Lusa) - A ligação ferroviária suburbana que ligará as Portas do Cerco a Hengqin [Ilha da Montanha], os dois postos fronteiriços entre a cidade chinesa de Zhuhai e Macau, já está concluída, mas ainda sem data definida para arrancar.
Em resposta à agência Lusa, o Governo de Hengqin disse hoje não haver ainda informações sobre a data de abertura daquela linha de comboio suburbana, que permitirá reforçar o acesso direto ao Cotai de Macau, onde estão concentrados a maior parte dos casinos da região semi-autónoma chinesa.
No início do mês, o diretor do Comité da Administração de Hengqin revelou que a obra está concluída e que aguarda apenas aprovação para começar a operar.
A nova ligação surge poucas semanas após Hengqin ter inaugurado um novo posto fronteiriço entre Macau e o continente chinês, que ficou, junto com os terrenos adjacentes, sob a jurisdição de Macau, numa área conjunta de 16.000 metros quadros.
A Zona Piloto de Comércio Livre de Hengqin já estava ligada ao território outrora administrado por Portugal, e hoje uma região semi-autónoma chinesa e capital mundial do jogo, por um posto fronteiriço aberto 24 horas por dia e um túnel de acesso ao novo 'campus' da Universidade de Macau, mas cujo terreno foi arrendado por Zhuhai à região.
A nova infraestrutura permite que o fluxo entre o continente e a região, e vice-versa, se reduza a um só controlo fronteiriço, face aos atuais dois - saída e entrada -, ligados por uma viagem de autocarro.
As instalações têm capacidade para atender mais de 220.000 pessoas por dia, disse à agência Lusa o diretor do comité administrativo local, Yang Chuan.
O Governo central encarregou Hengqin, que fica ao lado do Cotai de Macau, de desenvolver atrações turísticas complementares ao jogo.
Hengqin conta já com o maior oceanário do mundo, o Chimelong Ocean Kingdom, que integra um complexo com mais de 130 hectares e inclui salas de espetáculo e hotéis de luxo. Assimilando uma herança arquitetónica de Macau, a localidade construiu também calçadas portuguesas e uma praça manuelina, desenvolvida pelo magnata de Macau David Chow.
O novo porto servirá também para uma "futura conexão" entre o metro ligeiro de Macau e a ligação ferroviária de alta velocidade Hengqin - Cantão, a capital da província de Guangdong, segundo Yang.
O objetivo é também facilitar a comuta para residentes de Macau que escolham viver em Hengqin, onde a habitação é mais barata do que na região semi-autónoma, com um território de 32,9 quilómetros quadrados e quase 700.000 habitantes.
Vinte e seis autocarros partem já diariamente de Hengqin com destino ao centro de Macau.
A integração insere-se no projeto apadrinhado pelo Presidente chinês, Xi Jinping, a Área da Grande Baía - uma metrópole mundial, construída a partir de Hong Kong e Macau, e nove cidades de Guangdong, através da criação de um mercado único e da crescente conetividade entre as vias rodoviárias, ferroviárias e marítimas.
Devido à herança portuguesa e britânica, respetivamente, Macau e Hong Kong têm as suas próprias leis básicas e gozam de um alto grau de autonomia, incluindo ao nível dos poderes executivo, legislativo e judicial.
Guangdong é a província chinesa que mais exporta e a primeira a beneficiar das reformas económicas adotadas pelo país no final dos anos 1970, integrando três das seis Zonas Económicas Especiais da China - Shenzhen, Shantou e Zhuhai.
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