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1111 por editar A República Popular da China, o novo amor de São Tomé e Príncipe

epa05907091 Chinese President Xi Jinping (R) walks with Sao Tomean Prime Minister Patrice Trovoada (L) at the Great Hall of People in Beijing, China, 14 April 2017.  EPA/YOHEI KANASASHI / POOL

Dois anos depois do reatamento das relações diplomáticas entre a China e São Tomé (21 de dezembro de 2016) ainda não são muito visíveis o investimento chines no arquipélago, consideram várias fontes na capital do país.

Há pouco mais de um ano, o embaixador chines em São Tomé, Wang Wei e o ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada lançaram um “ambicioso” projeto de drenagem dos dois principais pântanos do país, construção de duas estradas que ligam a capital, de cinco e três quilómetros respetivamente e a requalificação das ruas da capital, incluindo esgotos, mas a sua execução ainda está longe de saltar à vista.

A intervenção chinesa em São Tomé, nestes dois anos, resume-se às áreas de saúde, designadamente na assistência médica, medicamentosa e formação de técnicos de saúde e na agricultura, particularmente no setor da pecuária, (fornecimento de materiais e equipamentos agrícolas e veterinários e introdução do cultivo de culturas para ração animal, no âmbito do projeto do executivo de segurança alimentar).

A mais importante dessa intervenção, está no sector da defesa. Os dois países assinaram em finais de dezembro um acordo no domínio militar. Detalhes sobre este acordo não transpirou à imprensa.

Cerca de um mês depois, a China Popular ofereceu oito mil fardamentos e botas aos militares das Forças Armadas do país, no que é descrito por fontes partidárias como “demonstrativo da disponibilidade da China em sustentar um governo liderado por um partido que é seu aliado histórico”.

Em maio de 1997, o então presidente da república, Miguel Trovoada estabeleceu relações diplomáticas a nível de embaixada com o Taiwan, tendo os chineses abandonado o país por causa da sua política de uma só China.

Durante os cerca de 20 anos de cooperação com São Tomé e Príncipe, Taiwan investiu centenas de milhões de dólares no país africano e fez um forte investimento na saúde, designadamente no Programa de combate ao paludismo.

“Foi, de facto, uma intervenção que devemos elogiar porque permitiu que reduzíssemos drasticamente a taxa de mortalidade e morbilidade por paludismo e hoje estamos a caminhar para a erradicação”, disse José Luís, medico e antigo diretor do Centro Hospitalar.

“O investimento do governo de Taiwan foi e fundamental na luta contra o paludismo, doença que até 2004, matava centenas de são-tomenses”, acrescentou o médico.

Taiwan ajudou a reduzir a incidência da malária em São Tomé e Príncipe de 50% em 2003 para 1,01% em 2015, segundo fontes do ministério da saúde são-tomense.

Fonte do governo de Patrice Trovoada considerou que as “relações de cooperação com Taiwan foram muito boas enquanto durou”.

Desde 1997 que anualmente São Tomé e Príncipe recebia um donativo financeiro de Taiwan de 10 milhões de dólares para apoio direto ao Orçamento Geral do Estado (OGE), valor que foi o governo taiwanês aumentou para 15 milhões em 2006.

O Liceu da cidade da Trindade, o liceu de Guadalupe, a Central térmica de Santo Amaro, são exemplos de projetos realizados com base no financiamento suplementar de Taiwan.

Vários outras infraestruturas emblemáticas da capital, designadamente a construção da Biblioteca Nacional e a reabilitação do único cinema da capital foram feitas com o financiamento do governo de Taipei.

O executivo de Taiwan financiava disponibilizava anualmente mais de 50 mil dólares para alimentação da forçar armadas.

“Um membro do governo cessante garantiu a Lusa que “São Tomé e Príncipe não suspendeu e muito menos cortou as relações diplomáticas com Taiwan”, admitindo, contudo que ao restabelecer a relações diplomáticas com a China Popular pode ter induzido este país a suspender as suas relações connosco”.

De facto, num comunicado distribuído na altura a jornalistas, Taiwan anunciava a “suspensão das suas relações bilaterais” com o arquipélago a partir de 21 de dezembro de 2016”, tendo justificado essa decisão com a necessidade de “defender a dignidade da nação”.

Foi nessa altura que, após 20 anos de “relações amistosas” Taiwan anunciou que iria “fechar a sua embaixada em São Tomé e Príncipe, recolher sua missão técnica, e acabar com todos os projetos de cooperação bilateral”, sublinha o comunicado.

O comunicado distribuído a jornalistas acusava o governo de São Tomé e Príncipe, “com dificuldades financeiras excessivas” fez “exigências para além daquelas que a República da China-Taiwan poderia atender, ignorando 20 anos de relações diplomáticas amigáveis”.

É difícil encontrar um setor neste país que não tenha beneficiado de apoio direto ou indireto de Taiwan”, explica a fonte do governo que refere o apoio da ilha formosa a formação de quadro como “algo extraordinário”.

“Eu posso garantir que a suspensão das relações bilaterais com Taiwan vai deixar muita saudade. É difícil encontrar um que não tenha beneficiado de uma assistência técnica e particularmente financeira desta cooperação, Taiwan estava metido em tudo neste país”, explica o ex-governante que não quis se identificar.

Manuel Barros