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Xi Jinping deixa Macau após visita marcada por recados para Hong Kong

epa08083153 Chinese President Xi Jinping (C) shake hands with Macao's SAR Chief Executive Ho Iat Seng (L) as he leaves Macao after the Macao Special Administrative Region of the People's Republic of China 20th anniversary celebrations in Macao, China, 20 December 2019.  Macao had been a Portuguese colony until 1999 when it returned to Chinese rule under the 'one country, two systems' principle.  EPA/CARMO CORREIA

O Presidente chinês partiu de Macau, após uma visita utilizada para destacar o progresso da região nos últimos 20 anos desde a transição da administração de Portugal para a China sob a fórmula ‘um país, dois sistemas'.

Xi Jinping foi acompanhado no aeroporto pelo primeiro chefe do executivo da Região Administrativa Especial de Macau [RAEM], Edmundo Ho, o chefe do Governo cessante, Chui Sai-on, e Ho Iat Seng, que tomou posse hoje.

Segundo fotografias divulgadas pelo Gabinete de Comunicação Social de Macau, Xi reuniu-se com os membros do novo Governo antes de partir.

Durante a visita de três dias, o chefe de Estado chinês enalteceu o "patriotismo" e "unidade" da sociedade local como ingredientes para o sucesso da fórmula ‘um país, dois sistemas', numa altura de crise política na região vizinha de Hong Kong, cuja transferência de soberania do Reino Unido para a China ocorreu sob o mesmo modelo de governação, que garante autonomia ao nível dos poderes executivo, legislativo e judicial.

"O sucesso de Macau revela que a implementação da fórmula [‘um país, dois sistemas'] pode durar apenas enquanto podermos garantir que não é distorcida", afirmou Xi Jinping, num discurso feito hoje, durante a tomada de posse do novo executivo.

"Os compatriotas de Macau têm uma tradição de patriotismo […] e consideram as questões com base no interesse da nação e de Macau", enalteceu.

Presentes durante a visita de Xi estiveram também a líder de Hong Kong, Carrie Lam, e vários membros do seu executivo, que enfrentam a pior crise política no território desde a transferência da soberania.

Um projeto de lei que permitiria extraditar criminosos para países sem acordos prévios, como é o caso da China continental, e, entretanto, retirado, desencadeou protestos em Hong Kong que duram há mais de seis meses, com cenas frequentes de vandalismo e confrontos entre manifestantes e as forças de segurança.

As autoridades chinesas têm acusado os Estados Unidos de incitarem os protestos, que classificam como um movimento separatista e anti-China.

Em Macau, o Presidente chinês disse que a China "jamais tolerará" ingerências externas nas suas regiões semi-autónomas.

"Eu quero destacar aqui que, após o retorno à pátria de Hong Kong e Macau, os assuntos destas duas regiões administrativas especiais são totalmente assuntos domésticos da China", afirmou Xi Jinping, arrancando aplausos entre uma plateia composta pelas principais personalidades do território.

"O Governo e o povo da China estão firmes como uma rocha na sua determinação em defender a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento do país", assegurou.

 

João Pimenta