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Uma década de parceria estratégica Portugal-China

O primeiro ministro, António Costa (E), cumprimenta o Presidente da República Popular da China, Xi Jinping (C), no âmbito da visita de Estado à República Popular da China e à Região Administrativa Especial de Macau, no Palácio do Povo, em Pequim, 08 outubro de 2016. ESTELA SILVA/LUSA

 

Até 2018, a mais recente visita de Estado de um Presidente chinês a Portugal acontecera em 2010 e marcou o início de uma etapa de fortes investimentos chineses.

A Parceria Estratégica Global entre Portugal e a China foi assinada em outubro de 2010, durante a visita de Estado do então Presidente chinês, Hu Jintao, e na altura foi recebida com palavras de circunstância e algum ceticismo por parte dos empresários portugueses, no início de uma crise económica internacional e com o resgate da 'troika' no horizonte político nacional.

No ano seguinte, a empresa China Three Gorges comprou 21% da EDP ao Estado português -- o maior investimento chinês de sempre em Portugal -- inaugurando uma intensa fase de investimento que se prolongou nos anos seguintes.

O negócio da Three Gorges foi na altura impulsionado pelos conselheiros da 'troika' e, em particular, do influente governo alemão, interessado em ver países com dificuldades financeiras a atrair investimento fora da União Europeia, como na altura foi assumido pela chanceler Angela Merkel.

O terreno para a Parceria Estratégica Global Portugal/China tinha sido desenhado durante a visita do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, a Portugal, em dezembro de 2005, onde uma numerosa comitiva procurou detetar as áreas setoriais do interesse chinês, na altura em que se intensificavam também os investimentos chineses na Europa.

Dois anos depois, uma visita de José Sócrates, então primeiro-ministro português, à China, em 2007, permitiu já assinar vários acordos comerciais, mas, sobretudo, serviu para preparar a visita de Estado de Hu Jintao a Portugal.

O primeiro chefe de Estado chinês a visitar Portugal foi Li Xiannian, em 1984, dez anos depois da instauração da democracia e nove anos depois de o governo português ter reconhecido o governo da República Popular da China, em janeiro de 1975.

As negociações formais entre representantes de Portugal e da China tinham sido iniciadas em 1978 e uma visita do ministro dos Negócios Estrangeiros da China a Lisboa, em 1982, prenunciaram um aprofundamento de relações.

A primeira visita de um Presidente português à China aconteceu no ano seguinte à vinda Li Xiannian, quando, em 1985, Ramalho Eanes se deslocou a Pequim, com a pasta da adesão de Portugal à CEE na bagagem e a atrair a atenção dos dirigentes chineses.

Outro tema das visitas de Li Xiannian e de Ramalho Eanes era Macau, cuja declaração conjunta sino-portuguesa, para a retoma do exercício da soberania chinesa naquele território, foi assinada em 1987.

A segunda visita de um chefe de Estado português à China aconteceu com Mário Soares, em 1995, aproveitando para inaugurar o aeroporto internacional de Macau e antecipando a visita do Presidente da República Portuguesa seguinte, Jorge Sampaio, em 1997, e a visita do Presidente chinês, Jiang Zemin, a Portugal, em 1999.

Jian Zemin deslocou-se a Lisboa no mesmo ano da transferência de administração de Macau para a República Popular da China e trazia já o plano de investimentos chinês em Portugal na agenda, no momento em que a economia do país asiático revelava uma forte aceleração e se preparava para tempos de expansão internacional.

A criação do Fórum Macau (2003) e a assinatura do Acordo de Cooperação Económica (2005), durante a visita do Presidente Jorge Sampaio à China, foram marcos desses novos tempos de cooperação económica intensiva que desembocaram na Parceria Estratégica Global, assinada em 2005.

Desde a última visita de um chefe de Estado chinês, em 2009, até hoje, para além da compra de participação chinesa na EDP (2011), assistiu-se ainda à aquisição de participações da State Grid na REN e a investimentos chineses avultados em operações da Galp (2012), abertura de balcões do Bank of China e aumentos substanciais das exportações de Portugal para a China.

Quando o então primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, fez uma paragem técnica nos Açores, em 2016, e foi recebido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, o balanço de todos estes investimentos foi abordado no breve encontro, assim como a visita do primeiro-ministro António Costa à China, que se realizaria ainda esse ano.

Ricardo Jorge Pinto