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Projeto Grande Baía é “oportunidade única” para incrementar cooperação entre Portugal e China

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos (D) Silva acompanhado pelo chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM)  Fernando Chui Sai On (E), durante a cerimonia de assinatura de protocolos entre os dois países, no âmbito da sua visita oficial a Portugal, em Lisboa, 15 de maio de 2019. RODRIGO ANTUNES/LUSA

O ministro dos Negócios Estrangeiros considera que o projeto da Grande Baía, metrópole chinesa com 70 milhões de habitantes, será "oportunidade única" para incrementar a cooperação entre Portugal, Macau e conjunto da República Popular da China.

"Pensamos que o projeto da Grande Baía será uma oportunidade única para incrementar a cooperação entre Portugal e Macau e entre Portugal e o conjunto da República Popular da China", afirmou Augusto Santos Silva, que falava ao lado do presidente do executivo da região administrativa especial de Macau, Fernando Chui Sai On, na conferência de imprensa que decorreu no Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa, após a sexta reunião da Comissão Mista Portugal-Macau.

Segundo Augusto Santos Silva, a "atenção com que Portugal acompanha o projeto da Grande Baía para aproveitamento do Delta do Rio das Pérolas" foi um dos assuntos económicos tratados na reunião da comissão mista.

A Grande Baía é o projeto de Pequim para criar uma metrópole mundial que junta as regiões administrativas especiais de Macau e de Hong Kong e nove cidades chinesas da província de Guangdong (Dongguan, Foshan, Cantão, Huizhou, Jiangmen, Shenzhen, Zhaoqing, Zhongshan e Zhuhai), numa região com cerca de 70 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) que ronda os 1,3 biliões de dólares, maior do que o PIB da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20.

A sexta comissão mista debruçou-se "sobre dois pontos fundamentais, as questões económicas e a língua portuguesa", referiu Santos Silva.

Do ponto de vista económico, foi debatida também a "intensificação" das relações económicas entre Macau e Portugal, "designadamente no programa de diversificação da economia macaense", adiantou o ministro.

O outro assunto económico debatido entre Chui Sai On e o ministro foi a importância do Fórum Macau "como plataforma de cooperação entre a República Popular da China e a República Portuguesa e os demais países de língua portuguesa".

Quanto à língua portuguesa e expansão do ensino do português, "os números são eloquentes", considerou Santos Silva.

Nunca como agora houve tantos jovens a aprender e a falar português e tantos professores a ensinarem português em Macau, considerou o governante português, referindo que esta expansão só é possível graças ao "apoio do executivo da região".

Após a reunião da comissão mista, foram assinados um acordo entre Portugal e Macau na área da justiça, para extradição de infratores em fuga, e um memorando na área do ensino superior, que permitirá "finalizar, a breve prazo, o reconhecimento de graus e diplomas do ensino superior”, referiu Santos Silva.

Na terça-feira foi assinado um acordo para a área do turismo, que “visa promover o desenvolvimento conjunto de ações de formação e programas de graduação dupla, além de estimular a participação recíproca em ‘workshops’, seminários, conferências, reuniões, colóquios, estudos e outros projetos de interesse comum”, anunciaram hoje as autoridades de Macau em comunicado.

Estes programas conjuntos poderão “ser abertos a estudantes de toda a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”.

Nesse dia, a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, explicou à Lusa que este acordo na área da formação turística vai levar à instalação de um polo do Instituto de Formação Turística de Macau no Estoril, distrito de Lisboa.