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Pró-democratas de fora da tomada de posse e de eventos com Xi Jinping

epa08082675 Troops march during the flag-raising ceremony for Macao Special Administrative Region's (SAR) 20th anniversary at Lotus Flower Square in Macao, China, 20 December 2019. Macao had been a Portuguese colony until 1999 when it returned to Chinese rule under the 'one country, two systems' principle.  EPA/JOAO RELVAS

Pelo menos três deputados pró-democracia da Assembleia Legislativa (AL) de Macau ficaram de fora da tomada de posse do novo Governo e de eventos com a presença do Presidente chinês no âmbito do 20.º aniversário da administração chinesa.

Ng Kuok Cheong, Au Kam San e Sulu Sou, aparentemente por razões distintas, não compreceram no dia em que se celebram os 20 anos da transferência de Macau para a China e cujo programa incluía o Içar da Bandeira, a tomada de posse do chefe do Executivo e ex-presidente da Assembleia Legislativa, Ho Iat Seng, e uma receção na Torre Macau no âmbito das comemorações.

“Tenho a certeza de que não recebi nenhum convite para o 20.º aniversário do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau [RAEM], inclusive a cerimónia de tomada de posse do novo Governo”, disse à Lusa Au Kam San.

O deputado disse ainda não ter ficado surpreendido e estar “habituado a não ser convidado”. E acrescentou: “Além disso, mesmo que tivesse sido convidado, não estaria interessado em participar neste tipo de eventos sem qualquer significado”.

Em resposta à Lusa, Ng Kuok Cheong afirmou ter recebido convites para as cerimónias, mas que preferiu não participar nas mesmas. “Sabia que não seria bem-vindo a 100% e por isso não vou estar presente”, explicou.

Já Sulu Sou, em declarações à Rádio Macau, garantiu ter recebido convites apenas para as “atividades em que o Presiente Xi Jinping não vai participar”, algo que considerou “estranho”.

Ainda este ano, estes três deputados pró-democracia de Macau lembraram na AL os 30 anos do massacre de Tiananmen, na Assembleia Legislativa de Macau, um tema tabu para o Governo chinês, e pediram a Pequim para não "fugir à verdade histórica", considerando que a sociedade exige "verdade, indemnização e responsabilização".

De resto, o destino de António Ng Kuok Cheong ficou traçado quando se juntou aos protestos em Macau contra o massacre de Tiananmen, em Pequim, a 4 de Junho de 1989. Foi rapidamente ‘corrido’ do Banco da China e em 1992 foi eleito para a AL, onde continua até hoje.

Sulu Sou, que é vice-presidente da Associação Novo Macau, tem feito da defesa do sufrágio universal em Macau a sua maior bandeira. Ng Kuok Cheong e Au Kam Sa são fundadores da associação, que se tem batido por reformas democráticas no território.

No final de 2018, Au Kam San ficou também ligado a um conflito com as autoridades locais. A Polícia Judiciária enviou mesmo uma carta ao deputado a exigir um pedido de desculpas, no prazo de dez dias, no seguimento de declarações em que o deputado insinuou que as autoridades estavam a realizar escutas ilegais.

O novo Governo de Macau, liderado por Ho Iat Seng, tomou hoje posse perante o Presidente da República Popular da China, Xi Jinping.

Trata-se do quinto Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), que celebra hoje o seu 20.º aniversário, depois de em 20 de dezembro DE 1999 o território ter voltado à tutela da China, após mais de 400 anos de administração portuguesa.

Na cerimónia da tomada de posse estiveram presentes os anteriores chefes do Governo a RAEM, Edmund Ho e Fernando Chui Sai On, que exerceram ambos dois mandatos no cargo, e a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam.

A transferência da administração de Macau de Lisboa para Pequim, em 1999, foi feita sob a fórmula 'um país, dois sistemas', que garante ao território um elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário.

A fórmula aplica-se também à outra região da China com esta administração especial, Hong Kong, onde os últimos seis meses têm sido marcados por protestos o poder político.

 

João Carreira