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Marcelo Rebelo de Sousa pisca o olho a dezembro para voltar a Macau

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa durante a visita à Escola Portuguesa de Macau, 1 de maio de 2019. O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa encontra-se  de 26 de abril a 1 de maio em visita de Estado à República Popular da China. CARMO CORREIA/LUSA

O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, elogiou "a diferença de Macau", último ponto da sua visita de Estado à República Popular da China, e já fala na "próxima visita" ao território, possivelmente em dezembro.

Durante um passeio a pé pelo centro histórico até às Ruínas de São Paulo, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que o Presidente chinês, Xi Jinping, "vem cá em dezembro", para as celebrações dos 20 anos da transição da administração do território de Portugal para a China, e adiantou: "Provavelmente eu também virei, veremos".

"Dezembro pode ser um bom pretexto, por causa dos 20 anos. É evidente que a própria República Popular da China entende como naturalíssimo que Portugal esteja representado ao mais alto nível na celebração dos 20 anos, foi assim que aconteceu há 20 anos, é assim que acontece agora", acrescentou, mais à frente.

Ao longo deste percurso, o Presidente português elogiou diversas vezes "a diferença de Macau", onde não vinha há 31 anos, e disse ter falado desse tema com Xi Jinping. "Ele falava nisso mesmo, e falávamos nisso mesmo: o que faz a diferença é o que dá valor, e Macau é diferente".

"Quando se é igual a tudo o resto, o que é maior esmaga o que é mais pequeno. E a diferença significa o quê? Um cruzamento de culturas, de línguas, de tradições, de usos, de gastronomia, é essa a riqueza de Macau, e por isso aqui vem tanta gente e admira essa diferença de Macau, que tem de continuar, na presença da língua portuguesa", defendeu Marcelo Rebelo de Sousa.

Junto às Ruínas de São Paulo, um dos monumentos mais emblemáticos de Macau, a comunicação social local perguntou-lhe o que vai resultar desta curta passagem pela região. "Vai resultar em mais visitas. Quer dizer, eu não tenciono vir aqui despedir-me de Macau. Eu venho aqui para dizer a Macau até logo", respondeu.

 

 

Aplausos no centro histórico

 

O Presidente da República destacou a arquitetura e a gastronomia de Macau, “um cruzamento civilizacional intenso e irrepetível”, num passeio pelo centro histórico do território onde foi recebido sob fortes aplausos.

As menos de 24 horas de Marcelo Rebelo de Sousa em Macau tiveram início esta manhã no Largo do Senado, coração do centro histórico e urbano da “cidade da calçada” e o ponto de partida para um “roteiro gastronómico e patrimonial”.

Entre a Santa Casa da Misericórdia e as Ruínas de São Paulo, dois locais emblemáticos daquele centro que já foi declarado património mundial da UNESCO, Marcelo foi abraçado por residentes, bebeu chá com comerciantes, provou pastéis de nata e foi, um pouco por todo o passeio, aplaudido e fotogrado por uma multidão curiosa.

Na Santa Casa, instituição de matriz portuguesa que este ano assinala os 450 anos, o chefe de Estado português destacou a "permanência e a renovação do espírito fundador" da instituição.

"Aqui [a Macau] chegou esse espírito juntamente com todo o espírito que transportámos pelo mundo", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, numa referência à expansão ultramarina de Portugal, na intervenção proferida na instituição.

Depois de ser recebido pelo provedor da Santa Casa da Misericórdia de Macau, António José de Freitas, o Presidente da República sublinhou ainda "a história singular" da instiuição "no mundo e na Ásia, onde nasceu tanta civilização e de onde se projeta para o futuro tanta civilização".

O desafio que se coloca à instituição é o de "fidelidade às raízes", de manter o espírito empreendedor das misericórdias, e o de "saber viver no quadro da excelência das relações entre Portugal e a China".

Por seu lado, o provedor da Santa Casa realçou que a história da instituição “é indissociável da presença da comunidade portuguesa nesta região do sul da China” e manifestou vontade de "continuar a dignificar o bom nome de Portugal e da comunidade portuguesa que aqui permanece".

Entre os vários locais emblemáticos do centro histórico de Macau, e sempre acompanhado pelo secretário para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau, Alexis Tam, o Presidente português provou iguarias macaenses e de influência portuguesa, incluindo o famoso pastel de nata, que admitiu ser "menos doce" aqui, e destacou várias vezes a calçada portuguesa, que confessou "fazer toda a diferença" na paisagem.

Na última paragem do roteiro, as Ruínas de São Paulo, Marcelo sublinhou a singularidade de Macau, muito devido à influência portugesa na região.

“Macau é diferente. Vale o que vale por ser diferente. A diferença significa um cruzamento de línguas, de tradições, de gastronomia, é essa a riqueza de Macau (...) que tem de continuar, na presença da língua portuguesa”, afirmou.

 

 

Inês Escobar Lima e Francisca Sottomayor