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Líder eleito promete “sentido de responsabilidade” para com população e Pequim

O ex-presidente da Assembleia Legislativa (AL) de Macau, Hot Iat Seng, fala em conferência de imprensa após ter sido eleito o chefe do Executivo do território e vai tomar posse no dia 20 de dezembro, substituindo Fernando Chui Sai On, há uma década no cargo.. Macau 25 de Agosto de 2019. CARMO CORREIA/LUSA

O chefe do Executivo eleito de Macau, Ho Iat Seng, agradeceu, em Pequim, a confiança nele depositada pelo Governo central, e expressou "profundo sentido de responsabilidade" em cumprir com as expectativas de Pequim e da população de Macau.

Ho, que foi hoje nomeado chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau pelo primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, em Zhongnanhai, sede oficial do Governo chinês, comprometeu-se a implementar "sem reservas" a fórmula "um país, dois sistemas" e governar de acordo com a constituição chinesa e a Lei Básica de Macau.

Macau foi integrado na República Popular da China em 1999 sob a fórmula 'um país, dois sistemas', que garante que as políticas socialistas em vigor no resto da China não se aplicam em territórios que gozam de "um alto grau de autonomia", à exceção da Defesa e das Relações Externas, que são da competência exclusiva do Governo central chinês.

Ho Iat Seng apontou como principais metas da sua administração diversificar a economia de Macau, melhorar a qualidade de vida da população e integrar "ativamente" a construção da Área da Grande Baía.

Lançado pelo Presidente chinês, Xi Jinping, o projeto da Grande Baía visa construir uma metrópole mundial a partir de Hong Kong e Macau, e nove cidades de Guangdong (Cantão), através da criação de um mercado único e da crescente conectividade entre as vias rodoviárias, ferroviárias e marítimas.

O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, apontou o "progresso notável" em Macau, desde o retorno da soberania à China, com rápido crescimento económico e "melhoria sustentada" da qualidade de vida da população.

Li destacou ainda a harmonia, estabilidade social e contínuo fortalecimento do intercâmbio e cooperação com o continente chinês, numa altura em que a região vizinha de Hong Kong é palco de protestos antigovernamentais.

"Espero e acredito que o Executivo se unirá para liderar Macau e todos os setores da sociedade a aproveitar as oportunidades trazidas pela construção da Grande Baía, visando acelerar o desenvolvimento diversificado de Macau e melhorar continuamente o nível de vida da população", afirmou.

Lembrando que este ano se celebra o 20.º aniversário desde a transferência de administração de Macau, Li Kegiang disse que o governo central "continuará a implementar com precisão e integralmente" os princípios da fórmula "um país, dois sistemas", conferindo "alto grau de autonomia" à região.

O ex-presidente da Assembleia Legislativa (AL) de Macau Ho Iat Seng foi eleito, no mês passado, o chefe do Executivo do território e vai tomar posse no dia 20 de dezembro, substituindo Fernando Chui Sai On, há uma década no cargo.

Ho Iat Seng, de 62 anos, único candidato ao cargo de chefe do Executivo após ter recebido o aval de Pequim, foi eleito com 392 votos a favor, sete em branco e um nulo de uma comissão eleitoral composta por 400 membros, representativos dos quatro setores da sociedade.

A Lei Básica de Macau (miniconstituição) define os quatro setores da sociedade como: industrial, comercial e financeiro; cultural, educacional, profissional; do trabalho, serviços sociais, religião; representantes dos deputados à Assembleia Legislativa e dos membros dos órgãos municipais, deputados de Macau à Assembleia Popular Nacional chinesa e representantes dos membros de Macau no Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.

O futuro chefe do Governo estreou-se como deputado em 2009, ano em que foi eleito para o cargo de vice-presidente da AL. Quatro anos depois, passou a presidir aquele órgão. Até abril deste ano foi um dos 175 membros do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular chinesa, o órgão máximo legislativo da China.

Ex-membro do 13.º Comité Permanente da APN, apresenta ainda no seu currículo os cargos de vice-presidente da Associação Comercial de Macau e presidente vitalício da Associação Industrial de Macau.

Em Zhongnanhai estiveram ainda presentes os conselheiros de Estado chineses Wang Yi, Xiao Jie e Zhao Kezhi.

 

Líder eleito de Macau quer novas indústrias e integração na Grande Baía

 

Iat Seng considerou também que o desenvolvimento da indústria tecnológica, para fornecer o mercado do continente chinês, é uma "tarefa fundamental" para o seu executivo.

Citado pela Xinhua, o chefe do executivo eleito considerou que Macau deve fazer "pleno uso dos seus recursos universitários e transformá-los em indústrias de produtos de alta tecnologia", incluindo redes de telecomunicações de quinta geração (5G).

Macau tem uma economia altamente dependente do jogo. Em 2018, os impostos diretos - 35% das receitas brutas - sobre o jogo representaram 79,6% da totalidade das receitas públicas de Macau, segundo dados oficiais das autoridades do território.

Ho Iat Seng ocupou anteriormente os cargos de vice-presidente da Associação Comercial de Macau e presidente vitalício da Associação Industrial de Macau, pelo que tem um "profundo entendimento da economia de Macau", escreve a Xinhua.

Ele admitiu, no entanto, que não será fácil cultivar novas indústrias em Macau, onde os casinos garantem salários altos.

E lembrou que a região semiautónoma enfrenta a concorrência das emergentes economias do sudeste da Ásia, e que não possui condições para desenvolver indústrias que exijam muita mão-de-obra.

O governo terá que pensar "cuidadosamente" sobre que indústrias deve desenvolver no futuro, disse, apontando, como exemplo, a produção de medicamentos genéricos.

"Macau poderá usar as suas ligações à União Europeia para atrair equipamento e talentos mundiais para fabrico de medicamentos genéricos e depois vendê-los ao enorme mercado do continente chinês", notou.

Citado pela Xinhua, Ho Iat Seng disse ainda que Macau deve preparar-se para fortalecer a cooperação com outras cidades da Área da Grande Baía.

Lançado pelo Presidente chinês, Xi Jinping, o projeto da Grande Baía visa construir uma metrópole mundial a partir de Hong Kong e Macau, e nove cidades da província de Guangdong, através da criação de um mercado único e da crescente conectividade entre as vias rodoviárias, ferroviárias e marítimas.

"Muitas pessoas em Macau têm a ideia errada de que Macau não faz parte da Grande Baía. As pessoas de Macau têm de ir ao continente para participar no desenvolvimento da Grande Baía", disse.

Ho considerou que a posição da região especial administrativa naquele projeto é "muito clara".

"A história de mais de 400 anos de intercâmbio cultural em Macau entre a China e o Ocidente deixou muitas heranças preciosas, como o primeiro farol e a primeira universidade do Extremo Oriente", descreveu. "Essa é a posição única de Macau", apontou.

Ho reiterou ainda a importância do património cultural em Macau, incluindo a construção ou cozinha.

"É mais fácil fazer uma cópia nova do que manter o original, mas essa não é a História", afirmou.