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Investimento chinês diminui na Europa, perante medidas protecionistas

epa07458396 Chinese President Xi Jinping during the meeting at  Villa Madama in Rome, Italy, 23 March 2019. President Xi Jinping is in Italy to sign a memorandum of understanding to make Italy the first Group of Seven leading democracies to join China's ambitious Belt and Road infrastructure project.  EPA/Riccardo Antimiani

O investimento chinês na Europa diminuiu, nos dois últimos anos, resultado de medidas protecionistas europeias, mas nenhum país quer fechar as portas à “Rota da Seda” dos biliões chineses.

Desde 2010, a China investiu mais de 145 mil milhões de euros na Europa, apesar dos constrangimentos económicos criados por vários países, nos últimos anos, e dos alertas do governo dos EUA sobre o risco de aceitar dinheiro da “ditadura chinesa”.

Em Paris, após uma visita a Itália, para encontros com vários líderes europeus, o Presidente da China, Xi Jinping, tem sido recebido com sorrisos nesta visita à Europa e tem fechado lucrativos acordos comerciais, mas todos os dias tem lido na imprensa europeia declarações de reserva sobre os riscos do investimento chinês.

Em 2010, o investimento chinês na Europa foi de 2,1 mil milhões de euros, tendo crescido para 20,7 mil milhões de euros em 2015, e para 37,2 mil milhões de euros em 2016, segundo a agência de análise financeira Rhodium Group.

Mas em 2017, o investimento da China diminuiu para 29,1 mil milhões de euros, e para apenas 17,3 mil milhões de euros, em 2018.

Cerca de metade deste investimento concentrou-se no Reino Unido, na Alemanha e na França, três das maiores potências económicas europeias, cujos líderes e reguladores começaram a colocar entraves à presença do dinheiro chinês no continente.

Os alertas vinham de vários lados, nomeadamente dos aliados norte-americanos que nunca esconderam a preocupação em ver empresas como a sueca Volvo (automóveis), a italiana Pirelli (pneus), a francesa Lanvin (moda), a alemã KraussMaffei (máquinas e utensílios) ficar sob controlo chinês.

Apesar de o investimento chinês nos países do sul da Europa (incluindo Portugal) apenas atingir 13%, a Comissão Europeia por várias vezes chamou a atenção para a benevolência com que aceitaram dinheiro chinês.

No final de março, a Itália assinou um memorando de entendimento para integrar vários projetos da iniciativa “Rota da Seda” – um projeto multibilionário de investimento chinês em vários continentes, tornando-se o primeiro país do G7 a ceder à tentação desta estratégia comercial chinesa.

Mas países como Portugal, a Grécia, a Hungria e a Polónia, entre muitos outros em diferentes continentes, já tinham aderido à iniciativa, permitindo ao Presidente chinês dizer que a “Rota da Seda” percorre o seu “caminho de sucesso”.

Segundo a agência Rhodium, Portugal já recebeu seis mil milhões de euros da China, em particular no setor bancário e energético, depois da intervenção da ‘Troika’ no país.

Mas a 14 de fevereiro passado, o Parlamento Europeu aprovou legislação para controlar o investimento externo em áreas estratégicas, como a inteligência artificial, telecomunicações e robótica, em grande parte para precaver os avanços do dinheiro chinês.

A legislação entrou em vigor no início de março, em todos os Estados membros, mas os mecanismos de controlo do investimento chinês já estavam em ação há vários anos, explicando a maior resistência que a China tem encontrado na Europa.

Ao mesmo tempo, os EUA continuam a pressionar os países europeus para restringirem o investimento chinês, ameaçando mesmo romper alguns acordos e renegociar tratados comerciais com os aliados, se não houver regras mais duras para conter o avanço da China.