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Inaugurado novo posto fronteiriço entre Macau e o continente chinês

epa05292743 Tourists read a map in front of Saint Paul's ruins in the historic center of the city in Macau, China, 06 May 2016 (issued 07 May 2016). The ruins dates back to the 16th century and were listed in 2005 as part of the Historic Centre of Macau, a UNESCO World Heritage Site. Macau, once a popular destination for mainland gamblers, launched in April an ambitious five-year plan to increase tourism revenues and to reduce the economy’s reliance on gaming.  EPA/JEROME FAVRE

Um novo posto fronteiriço entre Macau e o continente chinês abriu em Hengqin [ilha da Montanha], visando agilizar a circulação de pessoas, quando se celebram vinte anos desde a transferência da administração para a China.

O novo posto e os terrenos adjacentes, com uma área conjunta de 16.000 metros quadros, ficam sob a jurisdição de Macau, segundo o Conselho de Estado chinês.

A Zona Piloto de Comércio Livre de Hengqin, que pertence à cidade de Zhuhai, já estava ligada ao território outrora administrado por Portugal, e hoje uma região semi-autónoma chinesa e capital mundial do jogo, por um posto fronteiriço aberto 24 horas por dia e um túnel de acesso ao novo 'campus' da Universidade de Macau, mas cujo terreno foi arrendado por Zhuhai à região.

A nova infraestrutura permite que o fluxo entre o continente e a região, e vice-versa, se reduza a um só controlo fronteiriço, face aos atuais dois - saída e entrada -, ligados por uma viagem de autocarro.

As instalações têm capacidade para atender mais de 220.000 pessoas por dia, revelou à agência Lusa o diretor do comité administrativo local, Yang Chuan.

O Governo central encarregou Hengqin, que fica ao lado do Cotai de Macau, onde estão concentrados a maior parte dos casinos da região, de desenvolver atrações turísticas complementares ao jogo.

Hengqin conta já com o maior oceanário do mundo, o Chimelong Ocean Kingdom, que integra um complexo com mais de 130 hectares e inclui salas de espetáculo e hotéis de luxo. Assimilando uma herança arquitetónica de Macau, a localidade construiu também calçadas portuguesas e uma praça manuelina, desenvolvida pelo magnata de Macau David Chow.

O novo porto servirá também para uma "futura conexão" entre o metro ligeiro de Macau e a ligação ferroviária de alta velocidade Hengqin - Cantão, a capital da província de Guangdong, segundo Yang Chuan.

"Desde o início que as nossas orientações são promover a cooperação entre Guangdong, Hong Kong e Macau e, sobretudo, promover o desenvolvimento diversificado das indústrias de Macau", apontou.

O objetivo é também facilitar a comuta para residentes de Macau que escolham viver em Hengqin, onde a habitação é mais barata do que na região semi-autónoma, com um território de 32,9 quilómetros quadrados e quase 700.000 habitantes.

Vinte e seis autocarros partem já diariamente de Hengqin com destino ao centro de Macau.

A integração insere-se no projeto apadrinhado pelo Presidente chinês, Xi Jinping, a Área da Grande Baía - uma metrópole mundial, construída a partir de Hong Kong e Macau, e nove cidades de Guangdong, através da criação de um mercado único e da crescente conetividade entre as vias rodoviárias, ferroviárias e marítimas.

Devido à herança portuguesa e britânica, respetivamente, Macau e Hong Kong têm as suas próprias leis básicas e gozam de um alto grau de autonomia, incluindo ao nível dos poderes executivo, legislativo e judicial.

Guangdong é a província chinesa que mais exporta e a primeira a beneficiar das reformas económicas adotadas pelo país no final dos anos 1970, integrando três das seis Zonas Económicas Especiais da China - Shenzhen, Shantou e Zhuhai.

 

João Pimenta