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Hong Kong diz que Macau e Taiwan no confronto com Pequim

epa07673698 Anti-extradition protesters hold signs during a rally in Hong Kong, China, 26 June 2019. Hundreds of protesters who oppose the passage of a bill which would allow extraditions to China marched to 19 consulates as part of a campaign to put international pressure on the Hong Kong SAR government ahead of the G20 summit in Osaka, which will be attended by President Xi Jinping.  EPA/CHAN LONG HEI

A porta-voz da organização que tem liderado as manifestações em Hong Kong afirmou em entrevista à Lusa que a mediatização dos protestos tem também permitido ao território representar Macau e Taiwan perante a ameaça de Pequim.

“Acredito que muitos cidadãos de Macau e de Taiwan apoiam os mesmos valores. Ao alertar o mundo sobre o problema de Hong Kong, como que representamos também esses cidadãos de Macau e de Taiwan porque estamos a enfrentar o mesmo Governo chinês, estamos a enfrentar o mesmo tipo de perigos impostos por Pequim”, sublinhou Bonnie Leung, vice-coordenadora da Frente Civil de Direitos Humanos, que integra 15 organizações não-governamentais e movimentos políticos.

A ativista admitiu desconhecer contactos diretos estabelecidos por grupos, mas confirmou a presença de manifestantes desses dois territórios nos protestos em Hong Kong.

Bonnie Leung diferencia o caso de Taiwan do de Macau, dizendo que na Ilha Formosa se vive em democracia, mas que está a viver uma situação idêntica à de Hong Kong, “com muito dinheiro [chinês] a ser injetado na economia, a tentar comprar mais influência, sobretudo nos ‘media’”.

À semelhança de Hong Kong, Macau é uma região administrativa especial administrada pela China. Já Taiwan reclama a sua independência da China desde a guerra civil de 1949, mas é vista por Pequim como uma província separatista.

Num momento em que passou mais de um mês após os primeiros protestos por causa da lei da extradição, os manifestantes adotaram novas estratégias, na rua, junto da opinião pública e da comunidade internacional.

“Tivemos de mudar as nossas táticas porque o lado pró-Pequim já começou a com uma campanha de falsa informação”, disse Bonnie Leung, admitindo que esta é também “uma batalha pela opinião pública”.

“Acreditamos que liberdade, Estado de Direito e democracia são valores universais e podem fazer a sociedade e o mundo melhor. O que estamos a tentar fazer é transportar estes conceitos para a população da China”, explicou.

Nas últimas semanas, grupos de voluntários têm-se deslocado para zonas de Hong Kong nas quais se regista um elevado fluxo de turistas chineses, com panfletos e cartazes.

“Queremos partilhar as nossas ideias e explicar a estes turistas o que realmente está a acontecer em Hong Kong, em vez de receberem a informação através dos canais oficiais chineses”, e apesar de toda a censura de Pequim sobre esta matéria, lembrou a porta-voz da organização.

Há mais de um mês que Hong Kong é palco de protestos maciços. O mais concorrido, segundo a organização, aconteceu a 16 de junho, quando cerca de dois milhões de pessoas (mais de um terço da população) saíram à rua para protestar contra a lei que permitiria a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições com as quais não existem acordos prévios, como é o caso da China.

Dois dos protestos, a 12 de junho e a 01 de julho, foram marcados por violentos confrontos entre manifestantes e a polícia, que chegou a usar balsas de borracha, gás pimenta e gás lacrimogéneo. A 01 de julho, os manifestantes invadiram mesmo o parlamento de Hong Kong.

A chefe do Governo chegou a suspender a discussão da lei e posteriormente a dar a legislação como “morta”, mas as declarações de Carrie Lam não convenceram os manifestantes.

 

 

Luta contra a lei da extradição é também pelo sufrágio universal

 

“Queremos também lutar por uma verdadeira democracia”, sublinhou Bonnie Leung, vice-coordenadora da Frente Civil de Direitos Humanos, que integra 15 organizações não-governamentais e movimentos políticos.

“Precisamos mesmo de ter um sistema democrático: um homem, um voto: Temos de eleger o nosso chefe de Executivo e os nossos legisladores”, até porque “sem uma verdadeira democracia, más coisas podem sempre repetir-se”, defendeu.

A ativista ressalvou, contudo, que o foco continua a manter-se no combate à lei da extradição, que desde o dia 09 de junho motivou manifestações na antiga colónia britânica, agora administrada pela China.

De resto, uma nova grande manifestação contra a lei da extradição e a violência policial está agendada para 21 de julho em Hong Kong, uma vez que as reivindicações feitas ao Governo não foram atendidas, segundo os manifestantes.

Há mais de um mês que Hong Kong é palco de protestos maciços.

O mais concorrido, segundo a organização, aconteceu a 16 de junho, quando cerca de dois milhões de pessoas (mais de um terço da população) saíram à rua para protestar contra a lei que permitiria a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições com as quais não existem acordos prévios, como é o caso da China.

Dois dos protestos, a 12 de junho e a 01 de julho, foram marcados por violentos confrontos entre manifestantes e a polícia, que chegou a usar balsas de borracha, gás pimenta e gás lacrimogéneo.

A 01 de julho, os manifestantes invadiram mesmo o parlamento de Hong Kong.

A chefe do Governo da antiga colónia britânica, agora território administrado pela China, depois de pedir desculpa em duas ocasiões distintas, em junho, chegou mesmo a afirmar já este mês que a lei estava “morta”.

Uma declaração que não convenceu os líderes dos protestos, que continuam a promover pequenas ações e manifestações na cidade.

Os manifestantes exigem que o Governo responda a cinco reivindicações: retirada definitiva da lei da extradição, a libertação dos manifestantes detidos, que os protestos de 12 de junho e 01 de julho não sejam identificados como motins, um inquérito independente à violência policial e a demissão da chefe do Executivo, Carrie Lam.

Os defensores da lei argumentam que, caso se mantenha a impossibilidade de extraditar suspeitos de crimes para países como a China, tal poderá transformar Hong Kong num "refúgio para criminosos internacionais".

Já os manifestantes dizem temer que Hong Kong fique à mercê do sistema judicial chinês como qualquer outra cidade da China continental e de uma justiça politizada que não garanta a salvaguarda dos direitos humanos.

A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princípio "um país, dois sistemas", precisamente o que os opositores às alterações da lei garantem estar agora em causa.

Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.