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Fórum de Macau quer mais projeção para aumentar eficácia

A secretária-geral do Fórum de Macau, Xu Yingzhen, Macau, 30 de junho de 2019. Xu Yingzhen reconheceu, em entrevista à Lusa, a necessidade de maior projeção e melhores canais de informação para “servir melhor” as relações comerciais entre a China e os países lusófonos. (ACOMPANHA TEXTO DO DIA 30 DE JUNHO DE 2019). CARMO CORREIA/LUSA

A secretária-geral do Fórum de Macau reconheceu, em entrevista à Lusa, a necessidade de maior projeção e melhores canais de informação para “servir melhor” as relações comerciais entre a China e os países lusófonos.

Apesar de sublinhar os esforços que têm sido feitos nos últimos anos, Yingzhen disse à Lusa que o Fórum criado em 2003 ainda “precisa de chegar a mais pessoas” para “servir melhor a cooperação e implementar mais resultados” concretos.

“Através de vários canais de divulgação, podemos dar maior conhecimento ao mundo exterior deste Fórum de Macau”, reconheceu a secretária-geral, sublinhando que as crescentes deslocações às províncias do interior da China têm sido promovidas com esse objetivo.

O encontro empresarial que se vai realizar a 08 e 09 de julho em São Tomé e Príncipe - o último país a aderir ao Fórum de Macau, em 2017, meses depois de cortar relações diplomáticas com Taiwan – é, na sua opinião, uma oportunidade para aumentar a eficácia do Fórum.

“Acho que podemos, através destes encontros, nomeadamente este primeiro encontro que se vai realizar em São Tomé, promover um maior conhecimento entre as empresas da China e os países de língua portuguesa”, disse.

Participam neste 14.º Encontro Empresarial delegações de empresários dos países lusófonos, instituições públicas de promoção de comércio e de investimento e ainda empresários de municípios e províncias do interior da China, adiantou Xu Yingzhen.

No início do mês, o único deputado de ascendência portuguesa da Assembleia Legislativa, José Pereira Coutinho, criticou os fracos resultados do Fórum de Macau, denunciando a “opacidade do seu modelo de gestão e do funcionamento interno e externo”.

Para Xu Yingzhen, outra grande oportunidade de promoção do Fórum surge com a Grande Baía, o projeto de Pequim para criar uma metrópole a nível mundial, que junta as regiões administrativas especiais de Macau e de Hong Kong e nove cidades chinesas da província de Guangdong (Dongguan, Foshan, Cantão, Huizhou, Jiangmen, Shenzhen, Zhaoqing, Zhongshan e Zhuhai).

“Nas linhas gerais do planeamento para a Grande Baía, consta claramente o posicionamento de Macau enquanto plataforma de serviços”, o que obriga o Fórum de Macau a “envidar mais esforços para desempenhar o papel do Governo” neste projeto, acrescentou.

O projeto de Pequim prevê igualmente a construção de um corredor tecnológico e “Macau pode desempenhar um papel importante neste aspeto, nomeadamente na área da medicina tradicional chinesa”, elencou.

A estratégia de promover a medicina tradicional chinesa nos países lusófonos, utilizando Portugal como porta de entrada para a Europa, e Angola e Moçambique para África, é encarada como um dos eixos centrais de atuação para 2019 pelas autoridades de Macau.

“Na conjuntura do desenvolvimento da Grande Baía, Macau pode desempenhar um papel mais importante” enquanto plataforma, assumiu.

A China estabeleceu a região administrativa Especial de Macau como plataforma para a cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003, ano em que criou o Fórum de Macau.

Este Fórum tem um secretariado permanente, reúne-se a nível ministerial a cada três anos e integra, além da secretária-geral, Xu Yingzhen, e de três secretários-gerais adjuntos, oito delegados dos países de língua portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste).

Sobre uma possível adesão da Guiné Equatorial, Xu Yingzhen indicou apenas que o Fórum é uma “plataforma aberta”.

“O nosso fórum é uma plataforma aberta, se a Guiné Equatorial quiser aderir pode apresentar um pedido de adesão”, disse, escusando-se a debater o assunto.

A próxima conferência ministerial, prevista acontecer em 2019 – ano em que a região administrativa especial chinesa comemora os 20 anos da transferência de soberania e é palco de eleições para um novo chefe do Executivo - foi adiada e vai realizar-se apenas em 2020, “numa data ainda a definir”, disse.

 

 

Fundo chinês procura investimentos em São Tomé e Príncipe

A secretária-geral do Fórum de Macau afirmou hoje que o fundo chinês para investimentos lusófonos está à procura de projetos em São Tomé e Príncipe, um país que restabeleceu laços com Pequim em 2017, após romper relações com Taiwan.

Em entrevista à Agência Lusa, Xu Yingzhen disse que representantes do fundo chinês para investimentos lusófonos vão marcar presença no primeiro encontro empresarial em São Tomé e Príncipe, a 08 e 09 de julho.

“O fundo vai enviar uma delegação para participar no encontro em São Tomé, para estabelecer mais contactos com empresários e recolher mais informações sobre os projetos, com o objetivo de acelerar investimentos”, disse Xu Yingzhen, em entrevista à Lusa.

Sem adiantar muitos detalhes sobre o 14.º Encontro Empresarial China-Países de Língua Portuguesa, o primeiro realizado naquele país africano, Yingzhen enalteceu “a importância” do evento.

“É um país que aderiu um bocadinho tarde ao Fórum de Macau, por isso a realização deste encontro empresarial chama muito à atenção. O secretariado permanente dá enorme atenção e importância a este encontro”, afirmou.

São Tomé e Príncipe foi o último país a aderir ao Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (conhecido como Fórum de Macau), meses depois de romper relações diplomáticas com Taiwan.

Participam no encontro delegações de empresários dos países lusófonos, instituições públicas de promoção de comércio e de investimento e ainda empresários de municípios e províncias do interior da China, adiantou Xu Yingzhen.

“Esperamos que, através deste encontro, as empresas do interior da China possam tirar proveito para encontrar mais oportunidades de colaboração” com os países de língua portuguesa, acrescentou.

Questionada sobre os projetos e o montante já injetado por este fundo de mil milhões de dólares (879 mil milhões de euros), gerido pelo Banco de Desenvolvimento Chinês (CDB, na sigla inglesa), a responsável disse “não ter muitos detalhes” já que o Fórum “não pode intervir na gestão”.

Segundo Xu Yingzhen, o fundo investiu até agora 120 milhões de dólares (105 milhões de euros) em cinco projetos: quatro em países lusófonos – que não especificou - e um em Macau.

“Sei que os funcionários de gestão deste fundo de investimento aproveitam os encontros com os empresários de Macau e do interior da China e as deslocações aos países da língua portuguesa para divulgarem os critérios desde fundo”, disse.

A sede do fundo chinês de mil milhões de dólares destinado a investimentos de e para o universo lusófono foi transferida em 2017 de Pequim para Macau para facilitar o contacto com potenciais interessados.

A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para a cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003, ano em que criou o Fórum de Macau.

Este Fórum tem um secretariado permanente, reúne-se a nível ministerial a cada três anos e integra, além da secretária-geral, Xu Yingzhen, e de três secretários-gerais adjuntos, oito delegados dos países de língua portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste).

A próxima conferência ministerial, prevista acontecer em 2019 – ano em que a região administrativa especial chinesa comemora os 20 anos da transferência de soberania e é palco de eleições para um novo chefe do Executivo - foi adiada e vai realizar-se apenas em 2020, “numa data ainda a definir”, disse a secretária-geral.

 

Peste suína na China pode beneficiar exportações do Brasil

 

“A peste suína aumentou a necessidade de importação, o que pressupõe oportunidades alargadas para os países exportadores de carne de porco, como o Brasil”, disse Xu Yingzhen, em entrevista à Lusa.

As importações de carne suína da China dispararam em maio, numa altura em que o gigante asiático está a ser afetado por uma peste suína que está a ter efeitos inflacionários a nível mundial.

“A expectativa é grande, até porque temos observado que a relação entre a China e o Brasil está num caminho de crescimento constante”, destacou Xu Yingzhen.

As exportações do Brasil parecem beneficiar também das tensões diplomáticas com o Canadá: Pequim bloqueou recentemente o mercado a três exportadores canadianos, numa altura de tensões com Otava devido à detenção de uma executiva da Huawei.

A carne de porco é parte essencial da cozinha chinesa, compondo 60% do total do consumo de proteína animal no país. Dados oficiais revelam que os consumidores chineses comem 55 milhões de quilos de carne de porco por ano.

Questionada sobre a área em que o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) mais intervém na relação entre os dois países, Xu Yingzhen não hesitou a apontar o empreendedorismo.

“No futuro, achamos que a cooperação entre a China e o Brasil vai focar-se no âmbito do empreendedorismo e da inovação entre jovens empresários”, afirmou.

Macau é palco, desde outubro de 2017, de um centro de intercâmbio de inovação e empreendedorismo para jovens da China e dos Países de Língua Portuguesa.

Em março, onze empresas ‘startup’ de Macau realizaram um conjunto de viagens no Brasil para reforçar o intercâmbio com incubadoras locais e explorar oportunidades no mercado brasileiro.

E ainda este mês realizou-se em Macau a competição final do segundo concurso de inovação e empreendedorismo "Parafuturo de Macau",  com cinco equipas provenientes do Brasil, Portugal, Macau, Hong Kong, China e Taiwan.

“Neste âmbito [do empreendedorismo], penso que há muito espaço para explorar a cooperação entre a China e o Brasil”, frisou.

A China estabeleceu a região administrativa Especial de Macau como plataforma para a cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003, ano em que criou o Fórum de Macau.

Este Fórum tem um secretariado permanente, reúne-se a nível ministerial a cada três anos e integra, além da secretária-geral, Xu Yingzhen, e de três secretários-gerais adjuntos, oito delegados dos países de língua portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste).

A próxima conferência ministerial, prevista acontecer em 2019 – ano em que a região administrativa especial chinesa comemora os 20 anos da transferência de soberania e é palco de eleições para um novo chefe do Executivo - foi adiada e vai realizar-se apenas em 2020, “numa data ainda a definir”, disse.

Francisca Sottomayor