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Faltam sinais dos festejos e da visita de Xi Jinping, sobra o Natal nas ruas

Preparativos do Natal junto às Ruinas de S. Paulo em Macau, China, 17 de dezembro de 2019. JOÃO RELVAS/LUSA

O que sobra em decorações natalícias falta em bandeiras, tarjas e outros adereços que sinalizem o 20.º aniversário de Macau e a visita do Presidente chinês, a terceira numa década, com a população aparentemente alheada das comemorações.

“Não quero saber”, diz à Lusa uma cidadã do interior da China que trabalha em Macau há dez anos, ou seja, praticamente desde que Xi Jinping esteve no território pela primeira vez, então na qualidade de vice-presidente, para dar posse ao líder do Governo que cessa funções na sexta-feira, Fernando Chui Sai On.

A mulher de 28 anos, que se identifica como Tracy, sabe que sexta-feira é o aniversário da Região Administrativa de Macau (RAEM) e que Xi está de visita ao antigo território administrado por Portugal, mas a participação nas celebrações está fora dos seus planos.

Acontece o mesmo com Turbo Chi-Ian Ng, que nasceu em Macau ainda durante a administração portuguesa, que puxa do telemóvel para perceber que data importante é aquela que se assinala na sexta-feira, dia 20 de dezembro, enquanto tenta adivinhar, em voz alta: “ah, é Natal, não é?”.

A uma centena de metros do largo do Senado, onde os efeitos natalícios e os turistas quase que se acotovelam para tirar ‘selfies’ junto das figuras dos ‘pais natais’ espraiadas ao longo da calçada portuguesa, NG corrige com uma exclamação: “Não, claro, é o aniversário de Macau”. Depois, expressando pouca convicção, garante que sabia também da visita do Presidente chinês.

Mais à frente, numa rua que dá acesso às ruínas de São Paulo, onde foram semeadas ao longo de uma tira de jardim outras dezenas de ‘pais natais’, um estudante macaense, Sze Wu, acostumado aos aniversários desde que nasceu no território já sob administração da China, fica surpreso ao saber que o Presidente chinês é esperado esta quarta-feira para participar nas cerimónias.

“E passa por aqui?”, questiona uma filipina que, com o namorado, tenta atravessar a rua, entre os turistas que arrastam as malas, a esmagadora maioria oriunda do interior da China. “Se passar por aqui, que nós vivemos perto, talvez tente ver”, afiança, mais conhecedora do que o namorado sobre a data que se assinala na sexta-feira.

Há um outro casal, canadiano, que está de passagem por Macau, de férias, que estranha tanto adorno natalício nas ruas, que desconhece a presença de Xi Jinping no território, mas que vai regressar a casa a saber que há um aniversário importante a ser comemorado. Ele, Alex Mercer, consegue descortinar uma das raras indicações sobre os 20 anos da RAEM.

Um outro macaense, que justifica com a pressa não dar o nome, resume os próximos dias: “Todos os anos é aniversário [da RAEM] e este ano sei que vem o Presidente [chinês] porque vai faltar gasolina”.

A informação tem circulado nas redes sociais, mas as autoridades já vieram hoje sossegar a população, garantindo que “o abastecimento permanece estável”, apelando aos cidadãos “para abastecerem os veículos consoante as necessidades reais”.

Uma declaração que surge num dia em que se verificaram filas de viaturas em algumas bombas de combustíveis, com os condutores a procurarem encher os depósitos.

A situação é causada por até sexta-feira existirem constrangimentos na circulação dos veículos que asseguram o abastecimento de combustível.

O transporte de passageiros também será condicionado nos próximos dias, devido a medidas especiais de segurança determinadas pelo Governo da RAEM, com o serviço do metro ligeiro de Macau a ser suspenso a partir das 13:00 de quarta-feira, sendo restabelecido no sábado.

 

João Carreira