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Estratégia impediu comunistas de forçarem retorno de Macau mais cedo

Bandeiras de Portugal e China, Palácio de  Queluz, Portugal, 5 de dezembro de 2018. MÁRIO CRUZ/LUSA

 

Quando assumiram o poder na China, há 70 anos, os comunistas consideravam Macau um "remanescente do imperialismo ocidental", que repudiavam, mas prioridades estratégicas impediram-nos de tentar forçar o retorno da soberania do território, defende um historiador.

"O objetivo da revolução era, de facto, combater o imperialismo e o colonialismo, mas a China estava enfraquecida e, portanto, concentrou-se no Tibete e na [Guerra da] Coreia, considerados estrategicamente importantes", explicou à agência Lusa Klaus Mühlhahn, professor de História e Cultura da China e vice-presidente da Universidade Livre de Berlim.

Em 01 de outubro de 1949, após uma longa guerra civil, Mao Zedong proclamou o nascimento da República Popular da China: "O povo chinês finalmente levantou-se".

Uma guerra "dura e cara" contra o Governo nacionalista de Chiang Kai-shek, que se refugiou na ilha de Taiwan, deixou os comunistas numa "posição fraca e sem recursos militares para exigir ou impor o retorno de Macau", aponta Mühlhahn.

Um ano após tomar o poder, e até 1953, o novo regime comunista lutou lado a lado com a Coreia do Norte contra os Estados Unidos, na devastadora Guerra da Coreia.

No mesmo ano, Pequim ordenou uma intervenção militar no Tibete, após meses de negociações fracassadas 'com o Governo tibetano, entretanto exilado na vizinha Índia', em torno da soberania chinesa sobre o território.

"Pequim considerava que os benefícios estratégicos ou económicos que o controlo sobre o pequeno território de Macau poderiam trazer não compensavam os riscos inerentes a abrir outra frente no sul do país", aponta o sinólogo alemão.

"Em 1949, Mao Zedong priorizou a estratégia sobre a ideologia", resume.

O retorno da soberania de Macau à República da China ocorreu em 1999, depois de cerca de 500 anos sob administração portuguesa.

A transferência foi feita sob o princípio "um país, dois sistemas", que garante ao território elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, com o Governo central chinês a ficar responsável pelas relações externas e defesa.