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Confrontos em Hong Kong originam quebra de 17% no turismo de Macau nos mercados internacionais

epa01675488 A photo dated 24 March 2009 shows pedestrians pass in front of the Grand Lisboa hotel and casino in Macau, China. SJM Holdings said net profit fell 48.1 per cent last year and 77.6 per cent in the second half as a slowdown in Macau's casino industry prompted the firm to scrap a HKD12 billion plan to redevelop the 39-year-old Lisboa casino hotel.  EPA/PAUL HILTON

Os confrontos em Hong Kong provocaram uma quebra de cerca de 17% nos turistas dos mercados internacionais que visitam Macau, disse à agência Lusa a coordenadora do Turismo de Macau em Portugal, Paula Machado.

Portugal inclui-se nesta cifra, precisou a responsável, acrescentando que o número de portugueses que visitam Macau oscila entre 16.000 e 15.000 desde 2013. No ano passado situou-se em 15.594, contra 16.259 em 2017.

Portugal é o mercado turístico europeu com mais tempo médio de permanência em Macau, com uma média de seis dias em 2018, referiu.

“As pessoas que visitam Macau, normalmente, ou vão incluídas numa excursão ou vão visitar familiares. Nunca ficam menos de quatro noites”, disse, especificando que os dados são relativos à taxa de ocupação de hotéis, não refletindo as dormidas em casas particulares.

Em declarações à Lusa, Paula Machado admitiu que a situação de conflito em Hong Kong, desencadeada com a oposição da população à lei da extradição para a China, pode provocar receio nos visitantes que habitualmente compram um pacote de viagem que inclui a visita aos dois territórios.

Há quem decida manter a viagem, mas também há agências a solicitarem alterações ao programa, por forma a evitar Hong Kong, ou procurar uma forma de sair do território sem passar por zonas de conflito entre os manifestantes e a polícia: “Essa parte é completamente pacífica, não tem havido qualquer espécie de problema”.

“Era comum vender-se o pacote Hong Kong-Macau ou China-Hong Kong-Macau ou Xangai – Hong Kong-Macau. Hong Kong fazia parte do pacote, porque normalmente as pessoas que viajam de Portugal passam pelo aeroporto terminal de Hong Kong”, indicou.

De acordo com a mesma responsável, o património classificado pela UNESCO e que resulta de uma convivência de 400 anos entre as culturas oriental e ocidental continua a atrair os turistas portugueses.

O objetivo do departamento que coordena é atingir os 17.000 visitantes de Portugal para Macau nos próximos anos.

Entre os fatores que dificultam a promoção, os responsáveis do turismo identificam “a grande distância” entre Portugal e Macau, o “custo elevado dos voos” e o “baixo salário de uma grande parte da população ativa portuguesa”.

Em 2018, entraram em Macau quase 36 milhões de visitantes, mais 10% do que em 2017.

Macau é apresentado como um dos destinos com maior crescimento turístico e económico do mundo. De acordo com dados oficiais, a região cresceu 211% entre 1999 (o ano da transferência para a China) e 2018, passando de 11,5 para 35,8 milhões de visitantes.

 

Ana Henriques