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Chui Sai On em visita a Portugal para garantir “mais consensos”

O chefe do Governo de Macau disse à Lusa que a deslocação a Lisboa e ao Porto serve para garantir “mais consensos”, sobretudo após as recentes visitas oficiais dos Presidentes chinês e português, a Portugal e à China, respetivamente.

O chefe do Governo de Macau inicia no sábado uma visita oficial que se prolonga até 19 de maio, na qual estão agendadas reuniões com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa.

“Esta visita da delegação da RAEM [Região Administrativa Especial de Macau] a Portugal, tem como objetivo dar continuidade, inovar e reforçar a relação amigável de cooperação entre ambos, em prol de mais resultados frutíferos para a cooperação, impulsionando profundamente o futuro desenvolvimento, contribuindo para o desenvolvimento mútuo e outras parcerias”, afirmou Fernando Chui Sai On, em entrevista exclusiva por escrito à Lusa.

“Esperamos alcançar ainda mais consensos com Portugal, complementar as vantagens mútuas e também promover o desenvolvimento conjunto, aproveitando (…) o papel de Macau para reforçar, acelerar e fazer da melhor forma os trabalhos”, adiantou.

O papel de Macau, enquanto plataforma estratégica da China nas relações com Portugal, como porta de entrada para a Europa, e os países lusófonos, para assegurar os mercados africanos e na América Latina, é salientado pelo chefe do Governo que termina este ano o seu mandato, que se estendeu por uma década.

“O que nos deixa mais felizes e satisfeitos, é sermos um fator importante nas relações sino-portuguesas e desempenhar bem as nossas funções no desenvolvimento da plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa”, sintetizou o governante.

Chui Sai On sublinhou que “desde o estabelecimento das relações diplomáticas entre a China e Portugal [assinala-se em 2019 o 40.º aniversário], a cooperação tem vindo a aumentar, assim como as áreas têm sido cada vez mais alargadas, e para além das relações económicas, também o intercâmbio e cooperação têm sido reforçadas, de forma continuada, no âmbito da cultura, arte, educação, desporto”.

É por essa razão que, “atualmente, a China e Portugal elevaram a sua relação a uma importante parceria estratégica de cooperação, cujas características singulares e fundamentais da relação bilateral são: proeminente importância estratégica, complementaridade de interesses elevada e complementaridade económica forte”, assinalou.

Chui Sai On lidera uma delegação do Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) durante uma visita que vai passar por Lisboa e pelo Porto.

O líder de Macau vai presidir à sexta reunião da Comissão Mista Macau-Portugal com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

O Governo de Macau vai ainda organizar, em Lisboa, uma exposição fotográfica para comemorar o 20.º aniversário do estabelecimento da RAEM, que se assinala este ano.

Ainda em Lisboa, o mesmo responsável vai participar num debate com estudantes de Macau que frequentam o ensino superior em Portugal.

Chui Sai On vai assinar ainda com a Câmara Municipal do Porto “um memorando de entendimento para o quadro de cooperação na promoção de amizade”, informaram as autoridades do território administrado pela China.

Após a assinatura, o chefe do Executivo vai receber as Chaves da Cidade.

Após mais de 400 anos sob administração portuguesa, Macau passou a ser uma Região Administrativa Especial da China a 20 de dezembro de 1999, com um elevado grau de autonomia acordado durante um período de 50 anos.

 

Nova metrópole mundial chinesa vai reforçar cooperação sino-lusófona

 

Na entrevista à Lusa, o chefe do Governo de Macau defendeu em entrevista à Lusa que a criação de uma nova metrópole mundial chinesa, que inclui Macau, vai reforçar a cooperação sino-lusófona e a formação de quadros bilingues chinês-português.

O projeto da Grande Baía prevê construir uma metrópole mundial a partir de Hong Kong, Macau e nove cidades da província chinesa de Guangdong (Dongguan, Foshan, Cantão, Huizhou, Jiangmen, Shenzhen, Zhaoqing, Zhongshan e Zhuhai), numa região com cerca de 70 milhões de habitantes e com um Produto Interno Bruto que ronda os 1,3 biliões de dólares norte-americanos - maior que o PIB da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20.

“A participação dos países de língua portuguesa na construção da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e na iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’ pode servir [para] elevar (…) e alargar o espaço de cooperação, de modo a que os frutos da abertura da China possam ser partilhados por todos, enquanto se avança com um desenvolvimento que proporciona benefícios mútuos”, salientou Fernando Chui Sai On, em entrevista exclusiva por escrito.

O chefe do Governo, que inicia no sábado uma visita oficial a Portugal, frisou que “Macau surge como uma das quatro cidades principais no plano de construção da Grande Baía e antevê-se o reforço das suas funções de plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa”.

Por um lado, frisou, a China “apoia o ensino da língua portuguesa e a formação de quadros bilingues qualificados, sendo que, nas linhas gerais da Grande Baía, está definido, como um dos principais projetos, a construção de uma base que garanta a formação de quadros bilingues em chinês e português”.

Razão pela qual, concluiu, “o Governo da RAEM irá ainda beneficiar das vantagens no ensino do português, e da plataforma entre a China e os países da língua portuguesa, para construir, de forma mais segura e profunda, uma base que garanta a formação de quadros bilingues em chinês e português”.

A visita a Portugal do chefe do Governo de Macau prolonga-se até 19 de maio, estando agendadas reuniões com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e com o primeiro-ministro, António Costa.

Chui Sai On lidera uma delegação do Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) durante uma visita que vai passar por Lisboa e pelo Porto.

O líder de Macau vai ainda presidir à sexta reunião da Comissão Mista Macau-Portugal com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Após mais de 400 anos sob administração portuguesa, Macau passou a ser uma Região Administrativa Especial da China a 20 de dezembro de 1999, com um elevado grau de autonomia acordado durante um período de 50 anos.