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Chefe do Executivo de Macau mostra êxito de “um país, dois sistemas” a Taiwan

epa05684184 Pedestrians walk past a Taiwanese national flag at a road crossing in Taipei, Taiwan, 21 December 2016. According to reports on 21 December 2016, Taiwan said that Sao Tome and Principle - one of Taiwan's 22 diplomatic allies - cut ties with Taipei to recognize China. Taiwan's Presidential Office blasted China for using dollar diplomacy to lure away Sao Tome and Principe when the Western African nation is in financial crisis. China's Foreign Ministry welcomed Sao Tome and Principle's 'returning to the correct road' of the 'one China policy,' which says that there is only one China, andTaiwan is part of China.  EPA/DAVID CHANG

O chefe do Executivo de Macau elencou perante o líder de um partido da oposição em Taiwan, o êxito do território com a passagem da administração para a China e as vantagens da participação no projeto chinês da Grande Baía.

Num encontro, a 17 de abril, com o presidente do Partido O Povo Primeiro, James Soong Chu-yu, Fernando Chui Sai On aproveitou para “apresentar uma retrospetiva" dos últimos 20, anos desde que a Região Administrativa Especial de Macau foi criada, na sequência da transferência de administração de Portugal para a China.

Chui Sai On destacou o êxito da aplicação do princípio ‘Um país, dois sistemas’ e os avanços conseguidos em várias áreas, de acordo com um comunicado divulgado pelas autoridades.

O desenvolvimento económico, o bem-estar social e a melhoria das condições de vida foram alguns dos exemplos dados por Chui Sai On ao responsável de um dos partidos que integram a coligação liderada pelo Kuomitang, o grande partido nacionalista que liderou o país durante décadas e que está hoje na oposição.

A reunião incidiu no reforço de cooperação entre Macau e Taiwan e de que forma pode a ilha participar na criação da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, “mais um passo na definição do papel e função de Macau na estratégia de desenvolvimento” do país e “na integração da conjuntura” chinesa, disse Chui Sai On.

A Grande Baía é o projeto de Pequim para criar uma metrópole mundial que junta as regiões administrativas especiais de Macau e de Hong Kong e nove cidades (Dongguan, Foshan, Cantão, Huizhou, Jiangmen, Shenzhen, Zhaoqing, Zhongshan e Zhuhai) chinesas da província de Guangdong, numa região com cerca de 70 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) que ronda os 1,3 biliões de dólares, maior do que o PIB da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20.

De acordo com a mesma nota, James Soong afirmou que quer “aproveitar esta oportunidade para impulsionar” o “grande rejuvenescimento da Nação Chinesa”.

Esta reunião aconteceu no mesmo dia em que o ministro dos Negócios Estrangeiros de Taiwan, Joseph Wu, declarou que os laços com os Estados Unidos, o "melhor aliado" da ilha, "estão mais fortes do que nunca".

Os dois países comemoraram na terça-feira, em Taipé, o 40.º aniversário do Ato de Relações com Taiwan, que reafirmou o compromisso dos Estados Unidos com a ilha, nomeadamente através da venda de armas, mesmo depois de Washington ter estabelecido relações diplomáticas com Pequim, em 1979.

Pequim considera Taiwan uma província chinesa, e defende a "reunificação pacífica", mas já ameaçou "usar a força" caso a ilha declare a independência.

A China cortou os contactos com o Governo da Presidente Tsai Ing-wen, do Partido Progressista Democrático (DPP), pouco depois da sua eleição, em 2016, e implementou uma estratégia para reduzir o apoio entre os eleitores da ilha.

Isto inclui incentivos para os taiwaneses trabalharem na China, apelando especialmente aos jovens e trabalhadores do setor tecnológico, frustrados pelo pequeno mercado taiwanês e pelos salários estagnados.

Pequim tem também isolado Taiwan: nos últimos três anos, cinco países cortaram relações diplomáticas com Taipé, que tem agora apenas 17 aliados diplomáticos.

As eleições presidenciais em Taiwan estão marcadas para 2020 e a popularidade de Tsai tem vindo a descer.

O governador de Kaohsiung, a segunda maior cidade de Taiwan, Han Kuo-yu, do partido nacionalista Kuomintang (KMT, na oposição), é considerado um dos mais fortes candidatos à presidência da ilha, se decidir concorrer às eleições de 2020, de acordo com as últimas sondagens.

Han visitou Macau em março último para reforçar as "trocas económicas e comerciais", e "promover a cooperação bilateral nos domínios turístico e cultural".

Miguel Mâncio